Título: NA LAGOA, AS CRUZES DA DISCÓRDIA
Autor: Cláudia Lamego e Luiza Damé
Fonte: O Globo, 17/10/2005, O País, p. 3

Governadora discute com manifestante que criticava isopor na água

O que era para ser um ato pela paz acabou em discussão ontem entre a governadora Rosinha Garotinho e uma mulher que protestou contra as cruzes de isopor jogadas no espelho d¿água da Lagoa Rodrigo de Freitas, simbolizando as vítimas de arma de fogo no país. Enquanto Rosinha dava entrevista, uma mulher que se disse defensora da ecologia começou a criticar o governo do estado pela sujeira. Rosinha interrompeu a coletiva e disse à manifestante para baixar o tom de voz.

Rosinha explicou que o Corpo de Bombeiros e a Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla) fariam a limpeza imediata do local. Perguntada pela mulher sobre quem pagaria pela limpeza, Rosinha teria respondido, segundo pessoas próximas: ¿Você¿. A manifestante, que não quis se identificar, retrucou: ¿Disse bem, sou eu mesma.¿

O presidente da Serla, Ícaro Moreno Júnior, estava no local e garantiu que o isopor não é poluente e não causaria estragos ao ecossistema. Cerca de 36 mil cruzes ¿ o número corresponde aos mortos por armas de fogo no país no ano passado ¿ foram encomendadas pelos organizadores do ato e parte delas foi jogada na lagoa. A professora Sônia Ribeiro também criticou as cruzes. De longe, achou que era espuma branca. Sônia, que votará sim no referendo, disse que a manifestação era incorreta por sujar a Lagoa.

A governadora foi de barco ao local onde estavam as cruzes de isopor e, ao lado do médico Luís Mir, coordenador do projeto Trauma, e do padre Manuel Manangão, da Diocese do Rio, soltou pombas brancas. Das 27 pombas apenas duas conseguiram voar para longe. O vôo foi prejudicado pela helicóptero do governo do estado, que sobrevoava o local. Algumas foram retiradas da água para evitar que se afogassem. As cruzes foram retiradas no fim do evento pelos bombeiros e pela Defesa Civil.