Título: MINAS, 62 CIDADES EM EMERGÊNCIA
Autor: Alan Gripp e Demétrio Weber
Fonte: O Globo, 19/10/2005, O País, p. 15
No Vale do Jequitinhonha, falta até água para beber por causa da estiagem
BELO HORIZONTE. Em Minas Gerais, 62 municípios da região do Vale do Jequitinhonha estão em situação de emergência por causa da seca que atinge a região há pelo menos três meses. Este ano, os prejuízos já são mais graves do que em 2004, segundo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional e Política Urbana. O período de estiagem está mais prolongado e as temperaturas muito mais altas do que no ano passado.
A cidade de São Francisco, com diversas comunidades sem água até para beber, decretou estado de calamidade pública. Em todo o Norte mineiro, cerca de 110 mil pessoas sofrem com o desabastecimento de água, o que levou o governo estadual a lançar um plano emergencial.
Foram liberados recursos para a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) contratar caminhões-pipa, que devem levar água a todas as cidades atingidas. Segundo o superintendente de Infra-Estrutura Urbana da secretaria, Felipe Latella, a verba inicial está garantida.
¿ Para esse atendimento emergencial já liberamos R$1,4 milhão para que a Copasa possa iniciar a contratação de 74 caminhões-pipa ¿ disse o superintendente.
Verba será suficiente para 90 dias de atendimento
A expectativa, segundo ele, é de que a verba seja suficiente para manter as operações emergenciais por 90 dias, enquanto são desenvolvidas outras ações, que possam levar à solução do problema de desabastecimento. Latella explicou ainda que a questão operacional do atendimento aos municípios será decidida com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil e que, amanhã, já estarão decididas as ações emergenciais.
Pecuaristas e agricultores do Norte de Minas também estão preocupados com as conseqüências da seca que, se perdurar por mais 30 dias, vai causar sérios prejuízos ao setor, segundo Júlio Gonçalves Pereira, presidente do Sindicato Rural de Montes Claros:
¿ A situação até agora é controlável, mas se não chover em 15 dias será difícil. O plantio de outubro está atrasado por causa da estiagem.
Muitos prefeitos têm dificuldades para elaborar o decreto de situação de emergência ou calamidade pública, por isso estão sendo enviadas às cidades equipes para dar suporte aos administradores. Além disso, a Defesa Civil estadual está mandando, para as cidades mais atingidas pela seca, roupas, cobertores, colchões e cestas básicas.