Título: LIBERADOS R$30 MILHÕES CONTRA SECA NO NORTE
Autor: Alan Gripp e Demétrio Weber
Fonte: O Globo, 19/10/2005, O País, p. 15

Verba será usada em compras de emergência e no transporte de comida e remédios para 32 mil famílias na Amazônia

BRASÍLIA e TABATINGA, AM O governo federal liberou ontem R$30 milhões para o plano emergencial de combate à seca na Amazônia. Os recursos ficarão à disposição para compras de emergência e transporte de comida e remédios para as 32 mil famílias que vivem nos municípios isolados pela vazante dos rios, informou o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. A estiagem, segundo ele, já atingiu 912 pequenas comunidades.

O governo do Amazonas e as Forças Armadas começaram ontem a distribuir cestas básicas para a população ribeirinha em Tabatinga, a 1.105 quilômetros de Manaus, na fronteira com a Colômbia e o Peru. Às 6h30m no horário local (três horas a menos que Brasília), aterrissou na cidade o segundo avião Hércules da Força Aérea Brasileira com 17 toneladas de alimentos. Na véspera, outro avião fizeram o mesmo transporte. Ao longo do dia, estavam previstos mais três vôos com comida, remédios e hipoclorito de sódio ¿ produto usado para tornar a água potável.

Balsa pode levar sete horas com cestas básicas

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Roberto Rocha, coordenador da comissão emergencial contra a seca, disse que 1.230 cestas básicas serão enviadas para Atalaia do Norte, a duas horas de barco de Tabatinga, onde parte da população ribeirinha está isolada. Os alimentos seguirão de balsa até a sede do município e, depois, serão levados de canoa, a pé ou de helicóptero, dependendo do nível dos rios e igarapés. A previsão era que a balsa demorasse pelo menos sete horas para chegar a Atalaia.

Ontem choveu durante mais de 20 minutos, por volta das 16h30m. Nos últimos dias, segundo moradores da região, as chuvas foram suficientes para que pequenos córregos voltassem a ser navegáveis por canoas e barcos de pequeno calado. Em Benjamin Constant, a 30 minutos de lancha de Tabatinga, as embarcações do transporte escolar circulavam ontem normalmente. Nas últimas semanas, segundo relatos de estudantes, era preciso caminhar até o Rio Javari e de lá embarcar para a escola.

Além de Tabatinga e Atalaia do Norte, Benjamin Constant e São Paulo de Olivença receberão alimentos, segundo o secretário de Governo do Amazonas, José Melo. Os Hércules que vieram a Tabatinga deveriam trazer também pelo menos quatro kits de remédios, o suficiente para atender uma população de três mil moradores durante um mês.

Ontem mesmo começaram a ser distribuídas cestas nos arredores de Tabatinga. Embora a sede do município, que faz fronteira com a cidade colombiana de Letícia e é banhada pelo Rio Solimões, não enfrente maiores problemas com a estiagem, parte dos moradores na zona rural tem que caminhar para romper o isolamento.

Após se reunir com o presidente em exercício José Alencar, Ciro divulgou o balanço da primeira semana de atuação no combate à seca e anunciou que viajaria ontem à noite para Manaus, de onde seguiria para alguns municípios atingidos. Ele pretende checar pessoalmente se a ajuda está chegando às vítimas. Alencar editou ontem uma medida provisória para liberar os recursos.

Segundo Ciro, o plano consumiu até agora pelo menos R$5 milhões. O ministro informou que foram distribuídas mais de dez mil cestas básicas e que outras 90 mil já foram compradas para serem entregues nos próximos dias, com os custos divididos entre o governo federal e o do Amazonas.

Ministério enviou 150 kits de remédios para a região

De acordo com o ministro, 150 kits de remédios também foram enviados para a região. O material está sendo levado para os municípios isolados em 14 helicópteros e quatro aviões cedidos pelas Forças Armadas. Para diminuir o risco de epidemias, foram mandadas ainda 18 toneladas de hipoclorito de sódio.

Ciro rebateu as críticas de entidades de defesa do meio ambiente de que a ajuda federal demorou. Segundo ele, por uma questão legal o plano de emergência só pôde ser deflagrado a partir do momento em que o governo do Amazonas decretou estado de calamidade.