Título: LULA: MUNDO REAGIU MELHOR À FEBRE AFTOSA
Autor: Fabiana Ribeiro
Fonte: O Globo, 19/10/2005, Economia, p. 23
MOSCOU e SÃO PAULO. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem em Moscou ¿ onde se encontrou com seu colega russo, Vladimir Putin ¿ que os países que importam carne do Brasil estão reagindo melhor à crise provocada pelos focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul do que alguns segmentos dentro do país. Lula também disse que o governo russo foi compreensivo, ao restringir a suspensão das compras ao estado onde surgiram os surtos na semana passada.
¿ O mundo tratou com mais seriedade (a questão) do que determinados setores dentro do próprio Brasil ¿ disse Lula.
Alguns países impuseram barreiras mais amplas, temendo que a carne contaminada tenha sido transferida para outros estados. O Chile, por exemplo, suspendeu a compra de carne de todo o país, e a União Européia (UE) incluiu em seu embargo, além de Mato Grosso do Sul, os estados do Paraná e de São Paulo.
¿ Ele (Putin) foi compreensivo. A Rússia vai continuar mantendo um grande comércio com o Brasil ¿ disse Lula ao sair de um encontro com empresários russos e brasileiros.
No fim de 2004, a Rússia impôs um embargo abrangente às compras de carne do Brasil após a descoberta de um caso de aftosa na Amazônia. O veto levou meses para ser removido. Ontem, no entanto, o presidente russo ressaltou a importância das relações comerciais entre os dois países.
¿ Consideramos o Brasil nosso sócio mais promissor na América Latina ¿ disse Putin, lembrando que o comércio bilateral alcançou US$2 bilhões este ano. ¿ Nossas relações se desenvolveram intensamente em todos os terrenos.
Em desacordo com Lula, para quem os pecuaristas que não vacinam seu gado são os culpados pelo reaparecimento da aftosa, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem que o governo também deve assumir suas responsabilidades no episódio.
¿ Claro que nós temos (responsabilidade) e acho que temos de assumir claramente isso ¿ disse ele, acrescentando que a responsabilidade sobre o sistema de defesa sanitária deve ser compartilhada.
Já o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que os grandes produtores deveriam ¿chorar menos e fazer mais¿.