Título: PREÇO DA CARNE VAI CAIR NO RIO
Autor: Fabiana Ribeiro
Fonte: O Globo, 19/10/2005, Economia, p. 23
Consumidor encontrará, nas próximas semanas, produtos até 15% mais baratos
Acarne bovina ficará mais barata no varejo no Rio. Na negociação com fornecedores, os açougues já conseguem preços até 11,7% menores, e os supermercados esperam colocar nas prateleiras artigos até 15% mais baratos. O embargo de outros países à carne brasileira, inclusive a de estados e municípios onde não há focos de febre aftosa, pode levar a uma queda de 30% nas vendas internacionais, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Exportadores de Carnes (Abiec). Com as exportações prejudicadas, está sobrando mais carne dentro do país, o que reduzirá os preços.
O preço que o açougue Azul, em Copacabana, paga pelo quilo do traseiro (filé mignon e alcatra, por exemplo) deve baixar de R$4,90 para R$4,60 (queda de 6,1%). No quilo do dianteiro, deve cair 11,7%, de R$3,40 para R$3. A idéia é repassar essa queda ao consumidor. No ABC das Carnes, em Higienópolis, a redução dos preços dos fornecedores deve representar ao consumidor carnes até 10% mais em conta.
¿ A carne vem num movimento de alta e a venda chegou a cair 30% nos últimos meses. Esperamos recuperar isso com essa queda ¿ disse Francisco Pinheiro, dono do ABC.
Espera-se o mesmo nos supermercados. João Márcio de Castro, gerente do Princesa, prevê preços até 15% mais baixos no açougue de suas filiais. Para ele, isso só não vai acontecer se os produtores não abaterem o gado. No Zona Sul, a redução de preços pode atingir peças como alcatra (hoje a R$9,90) e o contrafilé (R$10,90) ¿ que podem ficar 10% mais baratas.
¿ Não há como subir mais o preço da carne ¿ ponderou Pietrângelo Leta, coordenador de compras do Zona Sul.
Sindicato prevê dois meses de queda
A consumidora Fernanda Sanchez não duvida de que o varejo repasse as reduções de preços:
¿ Com a queda das vendas externas, haverá mais carne aqui. O natural, portanto, é que tenhamos preços mais em conta em breve.
Para Hélio Toledo, diretor do Sindicato da Indústria do Frio do Estado de São Paulo, esse cenário de redução deve se manter por dois meses:
¿ É o prazo que o setor espera para que os problemas sejam resolvidos e o país exporte normalmente.
Até lá as empresas já estão se mexendo. O Grupo Bertin reduziu em 50% os abates em Naviraí (MS) e Lins (SP) e vai transferir parte da produção para outras unidades. A perspectiva é destinar toda a produção de Naviraí para o mercado interno. No Rio, o frigorífico encontrará resistência. Desde ontem, está proibida a entrada de animais suscetíveis à aftosa e animais vivos originários de qualquer município de Mato Grosso do Sul.