Título: MORTOS EM MOTIM EM GUARULHOS
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 18/10/2005, O País, p. 14

Rebelião durou 11 horas e presos entregaram lista de pedidos a secretário

SÃO PAULO. A Penitenciária José Parada Neto, de Guarulhos, no entroncamento entre as rodovias Airton Senna e Hélio Schmidt, enfrentou ontem uma rebelião de quase 11 horas. No motim, três detentos morreram ¿ um deles decapitado. Os presos fizeram reféns 14 agentes penitenciários, entre eles o diretor de disciplina do presídio, Jorge Augusto Santana, de quem exigiam a saída do cargo. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, nenhum refém ficou ferido.

O presídio seria controlado por uma facção criminosa que exigiu a presença do secretário de Administração Penitenciária do estado de São Paulo, Nagashi Furukawa, nas negociações. Furukawa chegou ao presídio por volta das 15h e recebeu uma lista datilografada com 14 reclamações dos detentos.

Os presos rebelados pediram mais rapidez na apreciação dos processos pela Justiça:

¿ Em resumo, eles reclamaram do atraso do Judiciário na apreciação dos benefícios e queixaram-se de que as visitas estão sendo maltratadas e humilhadas. Eles também denunciaram a chegada de inimigos nas transferências de presos ¿ informou o secretário estadual de Administração Penitenciária.

A rebelião começou por volta das 8h de ontem. Cerca de 50 presos ocuparam o telhado do presídio e exibiram pedaços de pau e faca durante a rebelião. O preso decapitado, Edézio José Lins da Silva, de 31 anos, cumpria pena de 13 anos por tráfico. As outras duas vítimas são Athayde José Ribeiro Neto, de 23 anos, condenado a 12 por roubo, e Adilson de Jesus dos Reis, de 30, que cumpria pena de 11 anos por roubo e furto.