Título: BRINCADEIRA COM ARMA MATA ALUNO EM ESCOLA
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 18/10/2005, O País, p. 14

Adolescente de 15 anos foi atingido por disparo acidental de revólver levado para sala de aula por colega de turma

SÃO PAULO. O adolescente Rafael Barbosa, de 15 anos, morreu ontem ao ser atingido com um tiro nas costas quando assistia à aula de ciências na Escola Estadual Marinela Piumbato Chaparro, em Jardim Anhanguera, na Zona Norte de São Paulo. Rafael, da 8ª série, caiu sobre a carteira. Levado ao hospital, o garoto não resistiu. O disparo, que teria sido acidental, foi feito por um colega de classe, também de 15 anos, que manuseava dentro da mochila dois revólveres Taurus, calibre 38, que levou à escola para mostrar aos amigos.

Na delegacia, o garoto que estava com as armas disse inicialmente que as comprou há dois anos. Mais tarde, afirmou que elas eram do seu padrasto e que as encontrara numa gaveta.

O adolescente contou que brincava como se simulasse um assalto quando aconteceu a tragédia. Depois de engatilhar a arma e mostrá-la a Rafael, o rapaz guardou o revólver dentro da mochila sem conseguir desengatilhá-lo. Ao colocar a mochila na carteira, o tiro foi disparado.

O adolescente que disparou o tiro deixou a escola em seguida, com três amigos. Ao voltar, ainda de manhã, os alunos da sala de aula o apontaram para a Polícia Militar como responsável pelo tiro. Ele admitiu aos policiais que havia guardado os revólveres na casa de um amigo.

No IML, os pais de Rafael disseram que não votam ¿Sim¿ nem ¿Não¿ no referendo do dia 23. Para Luzinete Barboza, mãe de Rafael, a proibição ou não da venda de armas não mudará os rumos da criminalidade.

¿ Eles precisam é de educação. Aí ninguém vai pegar em armas ¿ disse Luzinete.

Flávio Daniel Osti ficou indignado com a falta de segurança na escola:

¿ Meu filho morreu com a caneta na mão, enquanto assistia a uma aula.

Com a tragédia de ontem, sobe para cinco o número de jovens que morreram dentro de escolas em São Paulo atingidos por armas de fogo. Dia 29 de setembro, Ivanilton Gomes da Silva, de 15 anos, foi baleado na cabeça. O garoto entrou em coma profundo e morreu quatro dias depois. Semana passada, dois colegas olhavam um revólver calibre 38 quando a arma disparou, atingindo um deles. Poucos dias depois, a polícia achou outra arma dentro da mesma escola, escondida no forro de uma sala de aula, com três cápsulas intactas e o número de série raspado. Também nesse caso, os autores do crime eram menores.

Segundo a Secretaria de Educação, em 2004 ocorreram 13 homicídios dentro de escolas. Em 2003 foram 21.

Ontem, o jovem Wellington Martins, de 25 anos, morreu ao ser baleado numa briga entre torcedores de Palmeiras e Corinthians. No domingo, Diogo Lima Borges, de 23 anos, torcedor do Palmeiras, também foi morto com um tiro nas costas que teria sido disparado por um dos mais de cem corintianos que cercaram os palmeirenses numa estação de metrô, antes do jogo.