Título: ESCRIVÃO DA PF LIGA POLICIAL CIVIL A AGENTE PRESO
Autor: Antonio Werneck, Célia Costa e Gustavo Goulart
Fonte: O Globo, 18/10/2005, Rio, p. 23
Testemunha diz à Justiça que acusado do furto de R$2 milhões teria cúmplice para cometer assassinatos
Um policial civil do Rio, que está colaborando com os policiais federais na recuperação dos euros, dólares e reais roubados há um mês do cofre da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), foi acusado pelo escrivão Fábio Kair em depoimento à Justiça Federal de ser cúmplice do agente Marcos Paulo da Rocha em assassinatos. Rocha está preso acusado dos furtos de R$2 milhões da sede da PF e de 23 cheques de uma rinha de galo. ¿Rocha conta com o auxílio de um policial civil para ajudá-lo nas execuções no caso de estar preso e necessitar assassinar alguém¿, disse Kair em seu depoimento.
Para a Polícia Federal, o policial civil pode ajudar na localização do restante do dinheiro furtado da sede da PF. Na sexta-feira passada, 246 mil euros foram deixados dentro de uma lixeira ao lado de uma árvore na Praça Afonso Pena, na Tijuca. Os agentes federais procuram agora um carro onde o restante do dinheiro estaria escondido. O policial e uma procuradora federal do Rio foram ouvidos na noite da quinta-feira passada na Superintendência da PF no Rio. Rocha e o policial civil passaram por uma acareação na madrugada de sexta-feira. Logo após o encontro entre o policial civil e o agente federal, uma pessoa fez duas ligações para um agente federal informando onde deixaria o dinheiro: numa lixeira na Praça Afonso Pena. O policial civil acompanhou os agentes e delegados responsáveis pela investigação até a praça.
PF consegue a numeração das notas furtadas
A nova acusação é parte de um longo depoimento à Justiça Federal do Rio, prestado há duas semanas pelo escrivão Fábio Kair. Segundo ele, o roubo de R$2 milhões em euros, dólares e reais da PF foi praticado pelo agente federal Rocha, da Delegacia de Dia. O policial, que é acusado ainda de assassinar duas pessoas na Barra (juntamente com Fábio), teria contado com a ajuda de Ubirajara Saldanha Maia, o Bira, outro ¿X-9¿ (informante), que também está preso.
A recuperação de 246 mil euros, parte dos R$2 milhões em dólares, euros e reais apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Caravelas, possibilitou aos investigadores do roubo do dinheiro identificar a seqüência das notas tiradas da PF. Os agentes federais de Brasília descobriram que as notas foram emitidas pelo Banco Central de Portugal. O contato com o banco português já foi feito e os agentes conseguiram o restante da seqüência das notas que ainda estão desaparecidas.
Dessa forma, a polícia tem agora um mecanismo para monitoramento das notas em euro roubadas. A Polícia Federal ainda precisa recuperar 331 mil euros, US$63 mil e R$21 mil. Segundo o delegado Alessandro Moretti, as investigações mostram que os dólares seriam a parte de Ubirajara Saldanha Maia, o Bira, que não é agente federal, no furto. Ele também está preso e será indiciado pelo crime.