Título: GOVERNO CONFIRMA NOVOS FOCOS DE AFTOSA
Autor: Luciana Rodrigues e Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 18/10/2005, Economia, p. 25

Ministério da Agricultura encontra surtos em áreas de assentamento e fazendas em MS

BRASÍLIA e CAMPO GRANDE. O Ministério da Agricultura informou ontem a existência de mais três focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul: dois em áreas de assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no município de Japorã ¿ fazendas Santo Antônio e Guaíra ¿ e um em Eldorado ¿ na fazenda Jangada, próxima à Vezozzo, onde foi detectado o primeiro caso e 582 animais, sacrificados. Os resultados dos novos exames foram divulgados ontem pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) de Belém, e indicam que o número de animais sacrificados vai subir na região. Com isso, já são quatro focos confirmados, e mais três estão sob suspeita em fazendas de Japorã ¿ os resultados desses exames devem sair esta semana.

O rebanho nas três fazendas que se converteram em foco é de cerca de 4.600 cabeças, segundo técnicos da Agricultura. Estão doentes, de acordo com a pasta, 65 animais em Eldorado e 55 em Japorã. Os animais com os sintomas já manifestados serão imediatamente sacrificados. Os demais dependerão de análise no campo.

Com as confirmações dos novos focos, o governo deverá ampliar para sete o número de municípios na área isolada. Além de Eldorado, Itaqueraí, Iguatemi e Novo Mundo, podem ser interditados hoje Tacuru e Sete Quedas. A preocupação do Ministério da Agricultura é apertar a vigilância sanitária, proibindo o trânsito de animais e produtos de todas as áreas que ficam num raio de 25 quilômetros do foco. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério, Gabriel Maciel, disse que, até agora, não há suspeitas em Tacuru e Sete Quedas:

¿ Esses municípios devem ser interditados por questão de segurança.

Segundo o superintendente Federal de Agricultura no estado, José Antonio Felício, não está confirmada, no entanto, a ampliação da área de segurança na região.

Protesto provoca engarrafamento

Ontem, o Centro Panamericano de Febre Aftosa divulgou a conclusão das análises feitas em amostras de vacinas, que atestaram a qualidade do produto brasileiro. Segundo Maciel, as vacinas produzidas no país garantem a imunização dos animais, o que reforça a desconfiança de que pode ter havido falhas no transporte e no acondicionamento das vacinas ou problemas técnicos durante a aplicação nos animais que contraíram a doença na Vezozzo.

O temor de demissões em massa tomou conta dos trabalhadores de frigoríficos da região de Eldorado. Segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação no Estado, Rinaldo de Souza Salomão, das 24 unidades em atividade, 40% suspenderam os abates e deram férias remuneradas de até 15 dias. A diretoria do frigorífico Bom Charque, em Iguatemi, poderá fazer demissões se a situação não se normalizar em um mês.

Ontem, caminhoneiros que vivem do transporte de gado na região bloquearam a rodovia federal BR-163, que liga a região Norte ao Sul e Sudeste do país e que corta Mato Grosso do Sul, causando um grande congestionamento. Houve protestos também dos funcionários do frigorífico e dos motoristas que fazem o transporte de gado para a empresa.

Segundo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário, as medidas adotadas em relação ao transporte e ao comércio de produtos de origem bovina está prejudicando os cerca de 40 mil pequenos produtores de leite.

(*) Especial para o GLOBO