Título: CONSELHO DE ÉTICA COMEMORA
Autor: Carolina Brígido
Fonte: O Globo, 20/10/2005, O País, p. 3

`Uma decisão contrária iria criar uma crise institucional sem tamanho¿, afirma Ricardo Izar

BRASÍLIA. O julgamento do recurso do deputado José Dirceu no Supremo Tribunal Federal foi acompanhado no Conselho de Ética com apreensão, torcida e, depois, euforia. Reunidos na sala do presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), sete deputados ¿ metade dos integrantes do colegiado ¿ não desgrudaram os olhos da TV Justiça, que transmitiu a sessão ao vivo. Contidos no início, os parlamentares depois comemoraram.

Única defensora de José Dirceu no Conselho, Ângela Guadagnin (PT-SP) assistiu um pouco e depois foi embora. Entre os cassáveis, apenas Romeu Queiroz (PTB-MG) passou por lá, mas logo deixou a sala. No início houve certo temor, quando a decisão de julgar o caso foi aprovada por 9 a 1.

¿ Será um indicativo? ¿ perguntou Chico Alencar (PSOL-RJ) aos colegas.

Ricardo Izar tentou acalmar:

¿- Eles estão aprovando a admissibilidade porque querem votar e fazem questão de negar o recurso ¿ rebateu.

Até o 2 a 2, havia um clima de expectativa e apreensão na sala. Quando foi dado o terceiro voto contra Dirceu, Izar fez uma premonição, que confirmou-se depois:

¿ Agora vai deslanchar.

Para Jairo Carneiro, derrota de Dirceu representa afirmação do Conselho de Ética

Com exceção de Izar, os seis deputados que se encontravam na sala são relatores de vários processos e vão condenar ou absolver por quebra de decoro outros colegas. Júlio Delgado (PSB-MG), que pediu a cassação do mandato de Dirceu, não estava presente. Estavam também na sala Orlando Fantazzini (PSOL-SP), Benedito de Lira (PP-AL), Nelson Trad (PMDB-MS), Edmar Moreira (PFL-MG) e Jairo Carneiro (PFL-BA).

Com o sexto voto, do ministro Celso de Melo, alguns festejaram com mais empolgação, como Nelson Trad, que, em pé, levantou os braços como se comemorasse um gol. O grupo do PSOL apenas aplaudiu.

¿ É a goleada do bom senso -¿ disse Chico Alencar.

Jairo Carneiro afirmou que a derrota de Dirceu no STF representa a afirmação do Conselho de Ética:

¿- Prevaleceu a vontade da Constituição.

Para Edmar Moreira, a decisão foi uma ¿lição de civilismo e bom senso¿. Fantazzini afirmou que foi a vitória da Constituição sobre o interesse político. Nelson Trad classificou o resultado como uma ¿decisão sábia¿ e de respeito à independência dos poderes.

Depois, em entrevista, Izar reafirmou:

¿ Hoje o que predominou foi o bom senso do Supremo. Uma decisão contrária iria criar uma crise institucional sem tamanho.