Título: IGP-10 SOBE APÓS QUATRO MESES DE DEFLAÇÃO
Autor: Flávia Barbosa e Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 20/10/2005, Economia, p. 25
Índice ficou em 0,48% em outubro, em alta de 1,17 ponto frente a setembro
O IGP-10 de outubro registrou inflação de 0,48%, uma alta de 1,17 ponto percentual em relação ao mês anterior, quando o índice teve deflação de 0,69%. Foi a primeira taxa positiva depois de quatro meses seguidos de deflação. O principal responsável pelo resultado foram os preços no atacado. O IPA ficou em 0,57%, contra um índice negativo de 0,91% em setembro. O IPC e o INCC (que mede os custos do setor de construção) também tiveram aceleração e fecharam em 0,33% e 0,28%, respectivamente.
Tanto na inflação do atacado, quanto no índice para o consumidor, os combustíveis foram os vilões. A gasolina teve alta de 7,61% entre 11 de setembro e 10 de outubro (período em que foi medido o IGP-10) e o óleo diesel sofreu reajuste de 8,90%. O álcool combustível também subiu 5,19%, num movimento de recomposição de preços, depois de meses seguidos em queda.
Para o economista da PUC-RJ Luiz Roberto Cunha, a alta foi acima do esperado, mas não chega a ser motivo para susto:
¿ Os IGPs são índices muito voláteis. Essa alta mais forte não deve impressionar depois de uma deflação mais forte. O resultado se explica por aumentos localizados, como o dos combustíveis e o da carne. Na próxima medição, a carne deve voltar a cair, pois o IGP-10 foi medido antes da descoberta dos focos de febre aftosa.
Cunha não acredita que essa alta influencie a trajetória dos juros nos próximos meses.
¿ Acho que o Banco Central está mais preocupado agora com a inflação americana, que pode provocar alta de juros nos EUA. (Carlos Vasconcellos)