Título: INDÚSTRIA EMPREGOU MENOS E SALÁRIO CAIU 11% NAS FIRMAS DO PAÍS DESDE 96
Autor: Luciana Rodrigues
Fonte: O Globo, 20/10/2005, Economia, p. 26
IBGE mostra que cresceram terceirização de serviços e vagas no comércio
A indústria perdeu espaço entre os setores que mais empregam da economia brasileira. Segundo as Estatísticas do Cadastro Central de Empresas, divulgadas ontem pelo IBGE, o setor industrial, que respondia por 32,6% dos empregados nas firmas do Brasil em 1996, viu sua fatia encolher para 29,9% em 2003. Enquanto isso, cresceu o emprego na terceirização de serviços e no comércio. E os salários médios pagos pelas companhias encolheram 11,02% em termos reais (ou seja, já descontando a inflação) nesse período.
Em 2003, havia 1,5 milhão de empresas com empregados no Brasil, pagando salários médios de R$859.
Empresas de Minas Gerais alcançam Rio no emprego
Se a indústria perdeu espaço, atividades relacionadas à terceirização de serviços industriais passaram a empregar uma fatia maior de trabalhadores. O segmento de atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados a empresas, responsável por 10,4% dos empregos em 1996, cresceu para 13%.
¿ As empresas industriais, principalmente as de maior porte, adotaram uma estrutura mais enxuta. Mantiveram apenas os funcionários ligados à sua produção e terceirizaram o que não é sua atividade-fim ¿ resumiu Denise Guichard Freire, técnica do IBGE que coordenou o levantamento.
O comércio também aumentou a geração de emprego: de 21,9% em 1996 para 25,8%. Com isso, a diferença entre indústria e comércio no emprego, que era de dez pontos percentuais em 1996, encolheu para quatro pontos em 2003.
A pesquisa também mostrou que as filiais e sedes das empresas brasileiras ainda estão muito concentradas na Região Sudeste, que mantém 52,2% do total de unidades empresariais no Brasil. São Paulo viu sua participação no número de estabelecimentos cair de 32,2% para 29,1%. No Rio, a queda foi de 10,6% para 8,7%.
As firmas fluminenses também perderam espaço na fatia do emprego gerado pelas empresas brasileiras. Em 1996, o estado respondia por 11,9% das vagas. Em 2003, eram só 10,6%. Com isso, o Rio foi alcançado nesse quesito por Minas Gerais, que viu sua participação no pessoal assalariado crescer de 10,3% para 10,6%.
Na administração pública, salários subiram 22,14%
Além de perder espaço no emprego, a indústria caiu da quarta para a quinta posição entre os setores que pagam os maiores salários, ultrapassada, nesse quesito, pela administração pública. A média salarial na indústria recuou 9,84% entre 1996 e 2003. Enquanto isso, na administração pública ¿ que inclui apenas empresas públicas e não considera órgãos da administração direta, como ministérios e secretarias ¿ o salário médio cresceu 22,14%.
O cadastro constatou que, entre 1996 e 2003, a taxa média de natalidade (ou seja, o número de novas empresas criadas em relação ao total de firmas existentes) foi de 8,3% e a de mortalidade, de 5%.