Título: PAI E FILHO CHORAM ABRAÇADOS AO RECEBER A NOTÍCIA
Autor: Carolina Brígido/Tatiana Farah
Fonte: O Globo, 21/10/2005, O País, p. 3

Advogados dos Maluf agora preparam ofensiva contra Ministério Público

SÃO PAULO. Depois de quatro derrotas seguidas na Justiça, a vitória no Supremo Tribunal Federal foi recebida com lágrimas por Paulo e Flávio Maluf. Ao serem avisados pelo advogado Ricardo Tosto de que obtiveram a liberdade no STF, Flávio e Paulo Maluf choraram e se abraçaram, segundo Tosto.

Agora, os advogados preparam uma ofensiva contra o Ministério Público Federal e Estadual de São Paulo, responsáveis pelas três ações movidas contra os Maluf e que levaram pai e filho para a cadeia: dois processos criminais e um na área cível.

- Vamos abrir a caixa preta das acusações contra o ex-prefeito Paulo Maluf - disse o advogado José Roberto Batochio, ao entrar ontem no fim da tarde na PF para buscar seu cliente. De acordo com ele, as acusações são infundadas e os processos, irregulares.

Batochio havia entrado com o pedido de hábeas-corpus apenas para Flávio Maluf. Ontem à tarde fez a defesa da libertação de seu cliente diante dos ministros do STF. O hábeas-corpus atingiu por extensão a Paulo Maluf.

Flávio e Maluf foram presos sob acusação de coibir o depoimento doleiro Birigüi, testemunha de acusação e também réu no processo. A juíza Silvia Maria Rocha decretou a prisão preventiva e eles estavam detidos desde o dia 10 de setembro.

As gravações foram feitas este ano, durante três meses, pela PF. Todo o processo corre em segredo de justiça e ainda faltam ser ouvidas duas testemunhas de acusação, além das de defesa. O advogado Ricardo Tosto, que cuida do processo da área cível da família Maluf, disse que vai pedir a nulidade do processo movido pelo Ministério Público de São Paulo. Com esse processo, todos os bens da família foram bloqueados.

O promotor Sílvio Marques disse ter recebido com tranqüilidade a notícia. Ele afirmou que as provas contra os Maluf são contundentes e que o MPE tem autorização da Suíça para usar a documentação bancária daquele país, argumento usado por Tosto para entrar hoje na Justiça contra o Ministério Público de São Paulo.