Título: IRRITADO, RENAN FALTA A ENCONTRO COM PRESIDENTE
Autor: Lydia Medeiros
Fonte: O Globo, 21/10/2005, O País, p. 13
Motivo é o reajuste de 15% a servidores do Legislativo
BRASÍLIA. Maior aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no PMDB, o senador Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, está em confronto com o governo por causa da decisão da área econômica de recorrer, no Supremo Tribunal Federal, contra o reajuste de 15% para os servidores do Legislativo. Ontem, Renan se recusou a comparecer a um almoço na Granja do Torto, que acabou contando apenas com a presença do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
O senador alegou que só foi chamado para o encontro às 22h de terça-feira, por meio de um telefonema do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho. Naquela hora, justificou, já tinha marcado uma reunião de líderes e uma sessão solene em homenagem à Força Aérea Brasileira. O nome de Renan, no entanto, constava da agenda oficial da Presidência horas antes do convite.
Desde segunda-feira, quando o governo decidiu questionar junto ao Supremo a constitucionalidade do reajuste de 15% para os servidores do Legislativo, foram interrompidas as relações entre Renan e o governo.
O senador soube da ação direta de inconstitucionalidade (Adin) pelos jornais. Só depois ministros tentaram ligar para dar explicações, mas não foram sequer atendidos. O governo contesta uma lei aprovada pelo Congresso e posteriormente vetada por Lula. Mas o veto foi derrubado pelos parlamentares por ampla margem de votos.
"A Câmara pode não ter dinheiro, mas nós temos"
O gesto do Executivo foi interpretado pelo senador e seus aliados como uma tentativa de enfraquecer ainda mais a desgastada imagem do Congresso junto à opinião pública. A aliados Renan não escondeu a irritação com o recurso ao Supremo, que considerou uma tentativa de ganhar "no tapetão". O confronto ocorre também no momento em que o relacionamento entre governo e oposição é delicado, com acirramento de posições.
- Não aceito essa história de Adin. A Câmara pode não ter dinheiro, mas nós economizamos e temos. Vamos pagar - disse Renan a senadores.
O presidente do Senado argumenta que a Casa, diferentemente da Câmara, tem dinheiro para honrar os pagamentos do reajuste desde a derrubada do veto, em agosto. Os recursos para o pagamento dos atrasados, que remontam a janeiro, foram requisitados ao Executivo, numa solicitação de verba suplementar.
O diretor-geral, Agaciel Maia, informou que pediu R$240 milhões para encerrar o ano, mas não foi atendido. No ano passado, a Casa foi atendida e obteve verba extra de R$160 milhões.