Título: DEFESA DO CIDADÃO
Autor:
Fonte: O Globo, 22/10/2005, Opinião, p. 6

Opovo já compreendeu e vai ser difícil enganá-lo. Ele sabe que a campanha pelo desarmamento é ameaça à segurança e à soberania nacional. Um movimento urdido pelas empresas multinacionais do setor, apoiadas pelos governos de seus respectivos países, visando a liquidar a indústria brasileira de armas, que gera milhares de empregos.

O objetivo, disfarçado por uma retórica cínica e vazia, é desarmar a população, como se isso acabasse com a violência. Nada mais falacioso. Retirar do cidadão o revólver para sua defesa e de sua família, já que o Estado não lhe dá segurança, é deixá-lo indefeso, entregue aos marginais, às feras. Criminalidade se resolve educando as crianças, gerando empregos e reduzindo a desigualdade social. E com uma polícia séria, proba, preparada e aparelhada técnica e materialmente.

Por que não fazer uma campanha, com o mesmo ardor e disposição, para desarmar os bandidos? Eles continuam adquirindo, lá fora, armamentos cada vez mais sofisticados e poderosos, como fuzis AR-15, AK-47 etc., que passam pelas nossas fronteiras sem controle rigoroso da Polícia Federal. Não raro a imprensa noticia, com grande alarde, que no Brasil as mortes por armas superam as mortes em casos de guerra, conforme estatísticas da Unesco. Só que essas mortes não são causadas pelo cidadão comum, mas pelo tráfico, que circula livremente pelas fronteiras. Onde está a vigilância da Polícia para coibir o contrabando de armas?

Se aprovada, a proibição do comércio será o fim de nossa indústria e a desgraça de milhares de trabalhadores e de suas famílias.

A criminalidade não diminuiu. Aumentou, principalmente no Rio e em São Paulo, como mostram as pesquisas. Fato que não pode ser escamoteado pelos defensores do desarmamento. A aprovação representará, portanto, uma traição à pátria.

JOSÉ RIBAMAR GARCIA é advogado.