Título: O NOVO PSOL JÁ ENFRENTA SUSPEITA DE CORRUPÇÃO
Autor: Ricardo Galhardo
Fonte: O Globo, 22/10/2005, O País, p. 12
Senador cobraria `caixinha¿ no gabinete
BRASÍLIA. Um dos mais novos partidos brasileiros, o PSOL nem precisou disputar a primeira eleição para enfrentar uma denúncia de corrupção. A presidente do partido, senadora Heloísa Helena (AL), pediu ontem ao Conselho de Ética do Senado a abertura de investigação sobre o senador Geraldo Mesquita (AC), seu colega de bancada e ex-petista. Segundo reportagem do ¿Jornal do Brasil¿ de ontem, ele recolheria 40% do salário de funcionários de seu gabinete. A executiva do PSOL também apurará o caso.
¿ Esperamos que ele tenha o tributo da inocência. Se não, não pode ficar no PSOL ¿ afirmou Heloísa.
Depois de a senadora protocolar o pedido, Mesquita fez o mesmo e se ofereceu para prestar esclarecimentos ao Conselho. O senador já foi acusado de empregar parentes no gabinete.
¿ Nunca me apropriei de nada. Jamais existiu um movimento sistemático no sentido de cobrar nada de ninguém ¿ disse o senador.
Mesquita admitiu, porém, que há uma ¿ajuda humanitária¿ espontânea e esporádica dos servidores para despesas que não podem ser cobertas com as verbas de representação do Senado. Citou visitas a comunidades carentes no interior do Acre e festas como o Natal. Segundo o senador, os funcionários compram presentes para crianças e os distribuem.
Conversas telefônicas entre a chefe do escritório do senador no município de Sena Madureira, Maria das Dores Siqueira da Silva, e o ex-assistente parlamentar Paulo dos Santos Freire comprovariam a prática de recolher parte dos salários. Paulo, que trabalhou para o senador e foi demitido em janeiro, reclama de ter entregado mensalmente ao senador R$410 dos R$1 mil de seu salário. Maria diz que ele teria de conversar com Mesquita.