Título: DEPUTADOS ESCAPAM DE PUNIÇÃO EM RO
Autor: Ricardo Galhardo
Fonte: O Globo, 22/10/2005, O País, p. 12

Flagrados pedindo propina ao governador, eles foram absolvidos por colegas

BELÉM. Não adiantou a greve de fome feita por dez estudantes universitários. Os três deputados filmados pedindo propina ao governador Ivo Cassol (PPS) não foram cassados pela Assembléia Legislativa de Rondônia. A votação foi anteontem. Ronilton Capixaba e Amarildo Almeida livraram-se da punição por 15 votos a sete. Já Ellen Ruth foi absolvida por seus colegas por 13 votos a dez. Os pedidos de cassação foram arquivados.

O plenário da Assembléia Legislativa concluiu que não houve quebra de decoro por parte dos deputados denunciados por Cassol por pedir propina em troca de apoio político. Eram necessários 16 votos para que os deputados perdessem o mandato. Outros dois acusados, Kaká Mendonça (PTB) e Daniel Neri (PMDB) já tinham sido absolvidos.

O caso começou com uma série de gravações feitas por Cassol mostrando deputados pedindo propinas em troca de favorecimento na Assembléia. As imagens foram exibidas em maio no ¿Fantástico¿. Numa das cenas, Ellen Ruth e Capixaba sugerem ao governador o superfaturamento dos custos de um serviço terceirizado: os postos de vigilância.

Deputado afastado por 30 dias não será punido

Outro beneficiado foi o deputado estadual João da Muleta, que havia sido afastado por 30 dias. Com 11 votos favoráveis e 12 contra, os deputados estaduais rejeitaram o parecer da Comissão Especial que o afastava. Com a decisão, ele não sofrerá qualquer punição.

Aparentemente, o único deputado que saiu perdendo com o caso foi Emílio Paulista, que não suportou a pressão e renunciou ao mandato. A absolvição dos denunciados surpreendeu muita gente.

¿ Rondônia está sendo palco de uma violenta disputa por poder e dinheiro. De um lado, a bancada dos deputados oposicionistas. De outro, o governador, que é acusado de não repassar aos poderes estaduais verbas do orçamento de 2004 ¿ disse um deputado que votou a favor da cassação.

Cassol, que ainda pode enfrentar um processo de impeachment por crime de responsabilidade fiscal, afirma que os deputados de oposição fizeram da Assembléia um balcão de negócios.