Título: TAP E FUNDO AMERICANO FORMALIZAM PROPOSTAS PELA VARIG
Autor: Erica Ribeiro
Fonte: O Globo, 22/10/2005, Economia, p. 32
Acordo permitiria financiamento do BNDES, que entraria com 2/3 dos recursos, com o restante em dinheiro novo
A companhia aérea portuguesa TAP e o fundo americano Matlin Patterson formalizaram ontem suas propostas pela Varig junto ao BNDES. As duas empresas se interessaram em participar de uma sociedade de propósito específico (SPE), com financiamento de dois terços do BNDES e um terço em dinheiro novo, do investidor.
As duas propostas serão apresentadas oficialmente nesta segunda-feira ao juiz Robert Drain, da Corte de Falências de Nova York, por José Claudio Aranha e Durval Soledade, respectivamente chefe de departamento e advogado do BNDESPar. Também irão a Nova York o presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, e Eleazar de Carvalho, do Conselho de Administração da companhia, além de advogados do escritório Sérgio Bermudes.
O BNDES confirmou ontem que o empresário German Efromovich, dono da OceanAir, manteve contato com o banco mas não formalizou uma proposta.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da Varig, David Zylbersztajn, segunda-feira será o Dia D para a empresa, já que, com a entrada do governo na operação de salvamento, o planejamento ¿se torna mais robusto¿. Segundo ele, a Varig vai pagar US$6 milhões às empresas de leasing como amortização da dívida total de US$63 milhões. Pela Justiça americana, a Varig tem até 11 de novembro para resolver as pendências com as empresas de leasing.
Zylbersztajn também disse que a Varig está finalizando um plano de gerenciamento, como parte do processo de recuperação, que prevê um corte de US$160 milhões com redução de gastos com combustíveis, remanejamento da frota e demissão de 13% dos 12 mil funcionários até 2007.
Zylbersztajn esteve ontem na sede da Fecomércio-RJ, onde apresentou o plano da Varig a empresários. Ele voltou a dizer que um encontro de contas com o governo é importante para a recuperação da empresa. Segundo Zylbersztajn, a perda de receita é culpa do governo porque não há consenso para salvar a Varig. Ele disse que, se houver necessidade de mudanças na gestão da companhia, ele e os demais executivos deixarão o cargo. Para fontes próximas à Varig, isso pode indicar a saída, em breve, dos atuais gestores.