Título: SERRA: CASO AZEREDO NÃO É IGUAL À CRISE NO PT
Autor: Gerson Camarotti e Lydia Medeiros
Fonte: O Globo, 27/10/2005, O País, p. 10
Alckmin diz que não se pode comparar denúncias de caixa dois com escândalo de corrupção
SÃO PAULO e BRASÍLIA. O prefeito de São Paulo, José Serra, novo presidente do PSDB, disse ontem que as denúncias envolvendo o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) não podem ser comparadas à crise que atinge o PT. Anteontem, Azeredo renunciou à presidência do partido, diante das acusações de caixa dois em sua campanha ao governo de Minas, em 1998. O governador de São Paulo, o também tucano Geraldo Alckmin, fez um discurso semelhante.
¿ O problema dele (Azeredo) está longe do centro dos acontecimentos. O centro dos escândalos nestes meses está relacionado com desvio, corrupção, questões que envolvem desvio de dinheiro público de estatais e mensalão ¿ afirmou Serra.
¿ O que está em discussão é concorrência pública fraudada, advocacia administrativa, dinheiro público roubado. Enfim, todo o tipo de desvio de conduta, mistura de público e privado, partido e governo. Não tem nada a ver com eleição ¿ disse Alckmin.
Serra e Alckmin defenderam a apuração das denúncias:
¿ Investigar nunca é demais. Eu não vejo problema algum, desde que se estabeleça qual foi o critério ¿ disse Alckmin, referindo-se à possibilidade da instalação de uma CPI para apurar o crime de caixa dois no PSDB.
Serra fica no cargo até o dia 18, quando o senador Tasso Jereissati assume o posto. Perguntado se caberia uma CPI exclusiva para apurar caixa dois, Serra evitou comentários.
¿ Todas as questões devem ser examinadas. Cada um precisa fazer seu próprio exame.
O ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, fez um apelo aos partidos de oposição e da base para que baixem as armas. Ele se disse favorável a um entendimento político.
O PSDB apresentou requerimento para a criação de uma CPI no Senado, a do caixa dois de campanhas. Como já existem três CPIs no Congresso investigando denúncias de corrupção, Wagner, em tom de desabafo, disse que a situação de atrito permanente pode atingir todos.
¿ Esse clima de guerra permanente não é bom para nenhum lado. Quando se cria um ambiente de ódio na política, experiências passadas mostram que o resultado nunca é positivo. As acusações já estão passando para o campo da mágoa, para ataques pessoais. Todo mundo deveria recolher as armas ¿ afirmou o ministro.
Berzoini diz que não se pode banalizar CPIs
Enquanto Wagner apela para a serenidade, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, manteve um tom acima. Sobre a criação da CPI do caixa dois, disse que não se pode banalizar o instrumento e que ficará contra a criação de uma comissão se ficar comprovado que se trata de artifício do PSDB para esvaziar as denúncias envolvendo Azeredo.
¿ Se for uma manobra diversionista do PSDB, é óbvio que não vamos fazer papel de bons moços. Mas inicialmente não tenho nada contra a criação de uma CPI sobre caixa dois, um problema fruto do sistema de financiamento de campanha no Brasil.