Título: Sindicalista diz que fez cartaz com Bornhausen
Autor: Gerson Camarotti e Lydia Medeiros
Fonte: O Globo, 27/10/2005, O País, p. 10

Alencar, que teria pagado R$1.060 pelas três mil cópias espalhadas por Brasília, isenta governo e PT de responsabilidade

BRASÍLIA. O diretor do Sindicato dos Profissionais de Processamento de Dados do Distrito Federal Avel Alencar assumiu ontem a responsabilidade pela confecção de três mil cartazes com uma fotomontagem do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), vestindo um uniforme de nazista. O sindicalista, filiado ao PT desde 1993, disse que pagou os serviços de gráfica com um cheque de sua própria conta, no valor de R$1.060.

¿ Eu mandei fazer a arte e paguei com meu dinheiro ¿ contou Alencar.

Ele afirmou que está pensando em processar Bornhausen por prática de racismo, já que o pefelista disse que a crise política e as denúncias envolvendo o PT livrariam o país ¿dessa raça¿ por 30 anos. Alencar disse que a elaboração dos cartazes foi decisão sua e não teve participação de integrantes do governo ou do PT:

¿ Bornhausen pregou o extermínio da raça petista. Quem pregava o extermínio de raça eram os nazistas, por isso estou pensando em processá-lo.

O sindicalista disse que o ministro do Trabalho e ex-presidente da CUT, Luiz Marinho, não tem envolvimento no caso. Alencar é fundador do Sindicato dos Profissionais de Processamento de Dados, filiado à CUT. O PFL acusou Marinho e integrantes do governo de estarem por trás dos cartazes.

¿ Bornhausen não reconhece que a sub-raça tem capacidade de raciocínio? Foi tudo idéia minha, eu estava indignado porque me senti ofendido com as declarações de Bornhausen e fiquei irritado com a inércia da direção do PT. Nossos companheiros do governo não quiseram responder, então resolvi reagir ¿ disse Alencar.

Da tribuna do Senado, Bornhausen disse que não perdoará os responsáveis pelos cartazes afixados em pontos de ônibus da Esplanada. Ele espera obter hoje o resultado das investigações policiais.

¿ Não fiz acusações falsas. Não indiquei nomes, na certeza de que vão aparecer. E não vou perdoar os culpados. Não vou perdoar criminosos. Vou querer a lei cumprida, e meus 38 anos de vida pública não serão achincalhados por pessoas que não merecem o respeito da sociedade. Não serei intimidado. Não tenho medo ¿ discursou o senador.

Delegado já tem cópia do cheque

Bornhausen disse que os cartazes foram feitos com dinheiro da corrupção:

¿ Não há no país quem tire do bolso dinheiro limpo para pagar um crime deste. Esse dinheiro é podre. Vem da corrupção.

O líder do PFL, José Agripino (RN), afirmou que o partido não medirá esforços para associar o governo aos responsáveis pelos cartazes, mostrando que a idéia partiu de sindicalistas filiados à CUT.

¿ Se for comprovado, vamos ao limite máximo da reação. Vamos arrancar lascas desses culpados. É uma forma debochada de fazer política.

Segundo o sindicalista Avel Alencar, o presidente do PFL sempre foi nazista e reacionário. Ele disse que tem o direito de reagir porque se sentiu ofendido pelo pefelista. Ontem, Bornhausen prestou queixa na 1ª Delegacia Policial do Distrito Federal. No fim da manhã, a Polícia Civil já tinha a informação que Avel foi o responsável pelos cartazes. O delegado Antônio Cavalheiro Filho tem cópia do cheque emitido por Avel, que deve ser chamado para depor.