Título: INDÚSTRIA: MENOS CONTRATAÇÕES
Autor: Mariza Louven
Fonte: O Globo, 27/10/2005, Economia, p. 25
Sondagem da FGV diz que produção e demanda externa serão menores
A redução de juros ainda não foi suficiente para elevar o ânimo da indústria. Nota-se pela avaliação pior dos empresários sobre a demanda, a produção e a contratação para os próximos três meses. É o que mostra a Sondagem da Indústria de Transformação de outubro, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e apurada entre 29 de setembro e o último dia 24.
O clima, no entanto, não é de pessimismo ainda maior entre os industriais. Num índice de confiança feito a partir da sondagem, a avaliação de outubro foi 50,4 (o máximo é cem). O que denota uma estabilidade no humor dos empresários: em julho, esse índice foi de 50,8. Bem diferente do que se viu há um ano, quando bateu 60,8 - o melhor resultado desde abril de 1995. A versão final do índice de confiança da indústria da FGV poderá ficar pronta na próxima sondagem (janeiro de 2006).
- O que se vê é a indústria em desaceleração. A redução da (taxa básica de juros) Selic pelo BC melhorou o ambiente de negócios, mas os dados mostram insatisfação, que vem se repetindo nas últimas sondagens. Desta vez, há diferença: o pessimismo parou de se deteriorar e o setor pode até mudar de humor - disse Aloísio Campelo, economista da FGV.
Das 904 empresas ouvidas pela instituição, 19% pretendem contratar pessoal e 15% têm a intenção de reduzir quadros. Na sondagem anterior, de julho, esses índices eram 24% e 15%, respectivamente. Por outro lado, aumentou de 17% para 23% o número de empresas que consideram boa a atual situação dos negócios.
Os empresários se mostraram, porém, menos entusiasmados com a demanda nos próximos três meses (subiu de 16% para 24% o número de quem acredita na queda desse item). Um resultado que foi influenciado pelas vendas externas, hoje sob impacto da valorização do real.
- A sondagem mostrou que 24% das indústrias acreditam que a demanda externa cairá: é o pior índice desde janeiro de 1999 (desvalorização do real). Na edição de julho, eram 20%. Assim, o mercado externo fica menos atrativo, até porque a indústria ganha menos em reais pelo mesmo produto que vendia antes. Daí, a indústria valoriza mais o mercado interno - disse Campelo.
A sondagem também mostra que o nível de utilização da capacidade instalada (84,5%) completa a oitava variação acima da média da série histórica (81,4%). E se o nível de atividade seguir no mesmo ritmo, deve registrar em janeiro a nona variação - o que só ocorreu em julho de 1981.
Inclui quadro: "As apostas do setor" [gráfico com as previsões da indústria para os próximos três meses]