Título: Exportadores e pequenas empresas recebem 60% do crédito do BNDES
Autor: Mirelle de França
Fonte: O Globo, 09/11/2004, Economia, p. 23
Pela primeira vez em sua história, o BNDES pode deixar de cumprir seu orçamento. No acumulado do ano até outubro, o banco desembolsou R$ 29,8 bilhões, o equivalente a 63% dos R$ 47,3 bilhões previstos para 2004. Apesar da forte de demanda por financiamento de empresas exportadoras e de pequeno e médio porte ¿ que responderam por cerca de 60% do total liberado ¿ apenas agora estão chegando à instituição grandes projetos da indústria, de acordo com o o superintendente da área de Planejamento do BNDES, Maurício Piccinini.
O executivo explica que, como o processo no banco leva, em média, seis meses para ser concluído, os desembolsos referentes a esses projetos só aparecerão em 2005. Piccinini não calculou quanto poderá ficar encalhado na instituição em 2004, mas frisou que o BNDES deverá desembolsar mais do que o total do ano passado, que foi de R$ 34 bilhões.
¿ Não cumprir o orçamento não preocupa. Este ano, alguns projetos podem ter ficado engavetados, entre outros motivos, devido à manutenção da TJLP (taxa de juros usada nos financiamentos do banco, que desde abril está em 9,75% ao ano). Isso pode ter inibido os empresários. O mais importante, porém, é que o total desembolsado deverá ficar acima do de 2003 ¿ explicou.
Já o volume de projetos em consulta (R$ 84,1 bilhões) e em enquadramento (R$ 58,3 bilhões) no período deve garantir, de acordo com o superintendente, o total aproveitamento do orçamento do próximo ano, já aprovado, de R$ 60,8 bilhões. Entre os projetos de grande porte que estão começando a entrar no banco estão os de setores de transporte, telecomunicações, ferrovias, alimentos e bebidas.
Linha de capital de giro terá mais recursos
Piccinini informou ainda que o banco fez alterações na linha de capital de giro lançada há dois meses. A meta para operações diretas subiu 140%, para R$ 3 bilhões, devido à demanda. Na carteira do banco, essas operações já somam R$ 1,750 bilhão. A oferta da linha também foi ampliada em seis meses, até junho de 2005.
Já as operações indiretas, via agente financeiro, somaram uma carteira de apenas R$ 10 milhões, apesar de a meta inicial ser de R$ 1,25 bilhão. Segundo rumores do mercado, os agentes não estariam empenhados porque consideram o produto oferecido pelo BNDES um concorrente.