Título: Procuradores protocolam denúncia contra Zeca, Dirceu e Waldomiro
Autor:
Fonte: O Globo, 29/10/2005, O País, p. 4

Em nota, deputado erra e diz que `não há nada de regular¿ no seu IR

BRASÍLIA. O Ministério Público Federal protocolou ontem na Justiça Federal de Brasília ação civil pública por supostos atos de improbidade administrativa contra o deputado José Dirceu (PT-SP), seu filho José Carlos Becker, o Zeca Dirceu, e Waldomiro Diniz da Silva, ex-assessor da Casa Civil. Os procuradores da República Luciano Rolim, Michele Rangel de Barros, Anna Carolina Resende de Azevedo e Eliana Pires Rocha assinam a ação.

Os procuradores afirmam que em investigação iniciada em 2004 comprovaram que Dirceu montou na Casa Civil uma estrutura destinada a favorecer seu filho na obtenção de recursos federais destinados aos projetos de saneamento básico, melhoria sanitária e de geração de renda que envolviam municípios do noroeste paranaense, base eleitoral de Zeca. Segundo o Ministério Público, essa atuação na Casa Civil teria sido montada para eleger Zeca prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR).

Segundo os procuradores, servidores da Casa Civil fizeram pressão para apressar a tramitação das emendas. Com isso, alguns convênios teriam sido assinados antes mesmo da apresentação do detalhamento dos projetos. As emendas apresentadas em 2003 somam R$1,431 milhão. Eram verbas destinadas a projetos de saneamento básico e de geração de renda, entre outros projetos sociais.

Zeca acusou o procurador Luciano Rolim de processá-lo com fins políticos. Em nota, afirmou ter estranhado o fato de a investigação ter durado mais de dois anos e disse que ficou claro o objetivo de relacionar os fatos à crise nacional.

Inconformado com a ação, José Dirceu divulgou nota na qual diz que os procuradores vazaram documentos sigilosos para a imprensa e levanta suspeita de que teriam motivações políticas. Porém, ao rebater suspeitas de sonegação fiscal, a nota comete um equívoco, afirmando que "nada há de regular" nas declarações de renda do ex-ministro.

Dirceu lembra que Zeca teve mais de 70% dos votos

"Integrantes das CPIs vazam informações sigilosas prestadas pela Receita Federal, chegou-se a falar até em sonegação fiscal. Como, se eu nem fui notificado para dar explicações? Tenho certeza de que não há nada de (sic) regular em minhas declarações. Mas, como sempre, o fato é amplificado para uma grave denúncia, como se eu já estivesse condenado", diz a nota.

Dirceu diz que seu filho foi eleito com mais de 70% dos votos e garante que ele não teve privilégios na liberação de emendas parlamentares. O ex-ministro afirma ter certeza de que a ação do Ministério Público é inconsistente e diz que Zeca defendia os interesses de 32 municípios do oeste paranaense de forma legal e legítima.

"Se houve irregularidade nesse processo por ação ou omissão de órgãos federais, o que não está comprovado, nem eu nem Zeca podemos ser responsabilizados", diz a nota.