Título: NAS CONTAS DA ACAREAÇÃO, FALTAM R$12,4 MILHÕES
Autor: Jailton de Carvalho
Fonte: O Globo, 29/10/2005, O País, p. 8

Valores dos saques admitidos por PL, PTB, PP e PT não batem com repasses informados por Valério

BRASÍLIA. Após 14 horas de acareação, a CPI do Mensalão chegou a uma diferença de pelo menos R$12,4 milhões entre o valor que teria sido repassado pelo valerioduto e o que representantes dos partidos admitem ter recebido. As contas de representantes de PL, PTB, PP e PT não fecham com números apresentados pelo ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, pelo empresário Marcos Valério de Souza e pela ex-diretora financeira da SMP&B Simone Vasconcelos. Para o presidente da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), isso pode significar que há mais dinheiro envolvido no valerioduto do que os R$55 milhões inicialmente identificados:

¿ Precisamos ver o destino das quantias maiores. Há mais dinheiro em jogo do que os R$55 milhões. Ficou evidente que os R$4 milhões do PTB não estão dentro desse montante.

Na quinta-feira, a CPI do Mensalão realizou uma superacareação. De um lado Valério, Delúbio e Simone. Do outro, cada um de uma vez, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto; o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas; o ex-tesoureiro informal do PTB Emerson Palmieri; o ex-assessor do PP João Cláudio Genu e o ex-presidente da Casa da Moeda Manoel Severino dos Santos.

No caso do PL, a diferença é de R$4,3 milhões: Valério diz ter repassado R$10,8 milhões para Valdemar, que admite ter recebido R$6,5 milhões. No PTB R$ 2,1 milhões estão perdidos entre a contabilidade de Valério e a de Palmieri. Na acareação, Palmieri negou ter sacado do valerioduto, mas manteve a versão do ex-deputado Roberto Jefferson, de que o partido recebeu R$4 milhões do PT. Genu admite ter sacado R$700 mil, mas Valério disse que foram R$4,1 milhões.

Na lista de Valério em poder da CPI consta que Manoel Severino, com o nome associado a três outras pessoas, teria sacado R$2,6 milhões, mas Severino negou ter recebido esse valor. Valério disse que seu contato no PT fluminense era o ex-presidente da Casa da Moeda. Já Delúbio informou que o dinheiro serviu para o PT do Rio preparar a campanha de 2004.

¿ Cabe ao diretório do Rio explicar onde gastou esses recursos ¿ disse Delúbio.

Prioridade agora é analisar depoimentos com cuidado

Tanto o presidente da CPI como o relator, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), afirmaram que a acareação apresentou elementos novos, como o envolvimento de outras pessoas e mais partidos, que terão de ser confrontados com dados anteriores. Segundo eles, a prioridade é analisar os depoimentos e o sigilo da empresa Guaranhuns, usada para repassar dinheiro ao PL, e da corretora Bônus Banval, intermediária de pagamentos para PP, PL e PT.

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