Título: IMPORTAÇÃO DE DURÁVEIS CRESCE 31,6%
Autor: Regina Alvarez
Fonte: O Globo, 29/10/2005, Economia, p. 30

Dólar baixo estimula compra de automóveis e eletroeletrônicos

A queda do dólar nos últimos meses ¿ a moeda americana já caiu mais de 13% frente ao real este ano ¿ está fazendo a festa dos consumidores na compra de importados. A importação de bens de consumo duráveis (categoria que inclui automóveis e eletroeletrônicos, por exemplo) cresceu 31,6% em quantidade de janeiro a setembro (último dado disponível). É a maior alta entre as diferentes categorias de produtos.

Só no mês passado, o volume de bens duráveis importados cresceu 50% na comparação com o mesmo mês de 2004, já descontando as variações nos preços desses produtos e nas cotações do dólar.

O economista Fernando Ribeiro, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), explica que os bens de consumo duráveis são mais sensíveis às oscilações do câmbio. Quando o dólar cai, as importações aumentam logo. As compras de veículos ¿ que incluem, além de automóveis de passeio, caminhões e ônibus ¿ já chegam a US$1 bilhão este ano, até setembro, um valor 53% maior do que no mesmo período do ano passado.

O brasileiro tem aproveitado para compensar um longo período de escassez nas importações de bens duráveis. Entre 1998 e 2003, o volume médio de compras desses itens caiu 70%. Ribeiro afirma ainda que, também entre os bens de consumo não duráveis (como alimentos e bebidas), vem crescendo muito a importação de vinhos.

Mas o vigor das exportações brasileiras tem sido tão forte que a alegria dos consumidores de luxo nem de longe prejudica as contas externas do país. Os bens de consumo duráveis têm peso de apenas 2,2% na pauta de importação do Brasil.

É um quadro bem diferente da última vez em que o país conviveu com um real forte. Em meados de 1996, as compras de bens duráveis representavam 10% das importações brasileiras, chegando a US$5 bilhões ao ano, lembra Ribeiro.