Título: CONTAS EXTERNAS DO PAÍS REGISTRARAM SUPERÁVIT DE US$2,38 BI EM SETEMBRO
Autor: Regina Alvarez
Fonte: O Globo, 29/10/2005, Economia, p. 30

Resultado foi puxado pelo saldo de US$4,3 bilhões da balança comercial

BRASÍLIA. As contas externas tiveram um bom desempenho em setembro. As transações correntes ¿ cálculo que engloba a balança comercial e as despesas com viagens, juros, remessas e outros serviços no exterior ¿ apresentaram um superávit de US$2,380 bilhões, o segundo maior da História e o maior saldo para o mês. O bom desempenho da balança comercial, com superávit de US$4,329 bilhões, foi o principal responsável por esse resultado, que contribui para reduzir a vulnerabilidade do Brasil a turbulências no exterior.

No acumulado de janeiro a setembro, o saldo positivo das transações correntes está em US$11,062 bilhões. A conta de serviços registrou déficit de US$698 bilhões em setembro, sendo que só as despesas com viagens ao exterior tiveram saldo negativo de US$115 milhões no mês. A valorização do real e a melhora da renda têm elevado essas despesas, pressionando as contas externas. Até 24 de outubro, o déficit acumulado do mês já chegava a US$84 milhões.

Dívida externa cai para menor patamar desde 1996

De janeiro a setembro, o déficit de serviços foi de US$625 milhões. Já em setembro de 2004, as viagens registraram um déficit de US$8 milhões e, de janeiro a setembro do ano passado, esse item da conta de serviços apresentava um saldo positivo de US$347 milhões.

A dívida externa teve uma redução de US$9,7 bilhões em julho (último dado divulgado pelo Banco Central), na comparação com o mês anterior. A dívida caiu de US$191,3 bilhões para US$181,6 bilhões, atingindo o menor valor desde dezembro de 1996.

A redução da dívida ocorreu principalmente por causa do pagamento antecipado que o Brasil fez ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de US$4,976 bilhões, e da quitação de títulos da dívida externa (Global 05 e Euro 05), no valor de US$2,5 bilhões.

Investimentos estrangeiros diminuíram em setembro

Na contramão do saldo das transações correntes, a conta financeira do balanço de pagamentos apontou que os investimentos estrangeiros diretos foram fracos em setembro. Eles somaram US$43 milhões, o menor ingresso líquido desde março de 95 e bem abaixo da estimativa do BC, que era de US$300 milhões.

Três operações de venda de participações estrangeiras em bancos brasileiros e a aquisição de uma planta de capital externo por uma empresa nacional resultaram no retorno de US$770 milhões em aplicações no setor produtivo. Parte desses recursos nem deixou o país, mas afetou o resultado dos investimentos estrangeiros diretos.

¿ Houve uma concentração muito grande de eventos que já estavam programados, mas o importante é que o ingresso foi positivo ¿ disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Até 24 de outubro, a entrada líquida de investimentos estrangeiros diretos já somava US$600 milhões, e a previsão do BC é que possa chegar a US$800 milhões este mês. De janeiro a setembro, esses investimentos somam US$11,787 bilhões.

¿ É factível fechar o ano com US$16 bilhões em investimentos estrangeiros diretos ¿ disse Lopes.