Título: SOUL DECIDIA VALOR DE PROPINAS
Autor: Taís Mendes
Fonte: O Globo, 31/10/2005, Rio, p. 8

Bandido contratou PMs para atacar rivais

Em menos de um ano, Orlando José Rodrigues, o Soul, foi promovido do cargo de ¿gerente¿ da contabilidade do tráfico para chefão da Favela da Rocinha. Segundo investigações, no cargo anterior, Soul descobriu que o pagamento de propinas para policiais corruptos garantia a tranqüilidade da quadrilha e dos usuários que subiam o morro para comprar drogas. Ele decidia os valores e aumentava a gratificação quando a repressão aumentava.

Quando assumiu o controle da parte alta da favela, em novembro passado, Soul contratou uma equipe de PMs que trabalhavam na ocupação do Morro do Vidigal. A negociação foi intermediada por um cúmplice do criminoso. A conversa foi interceptada pela Polícia Civil, que fazia escuta telefônica autorizada pela Justiça. Ficou acertado que os PMs receberiam R$8 mil para invadir as bocas-de-fumo dominadas por uma facção rival. Uma cópia da negociação foi enviada à Corregedoria da PM.

O bandido, também chamado pelos cúmplices de Braddock, é uma pessoa mais reservada que Bem-Te-Vi. Antes de a Justiça expedir um mandado de prisão temporária por tráfico de drogas contra ele, Soul costumava freqüentar boates na Zona Sul e na Barra da Tijuca. A voz grave e o físico de atleta ajudam o criminoso com as mulheres. Dezenas de conversas, sempre longas, foram gravadas pela polícia. Uma delas foi entre ele e a irmã de Bem-Te-Vi, apelidada de Tiazinha.

Num dos diálogos gravados, Soul tenta convencer Bem-Te-Vi a marcar uma reunião com os integrantes da quadrilha. Ele queria limitar a liberdade dos menores do bando. Soul argumentava que os adolescentes roubavam e matavam sem autorização.

As investigações comprovam que Soul tratava até do dinheiro destinado a cúmplices presos. Numa conversa, um traficante pede para o chefão R$1.200. O dinheiro seria usado para comprar a transferência de quatro bandidos da quadrilha. Antes de liberar a quantia, Soul se certifica de que os presos trabalhavam numa das bocas-de-fumo do bando.

* Do Extra