Título: CONFIANÇA DO CONSUMIDOR MELHORA
Autor: Luiza Damé
Fonte: O Globo, 01/11/2005, Economia, p. 24

Novo índice da FGV aponta expectativas positivas para a economia

O consumidor brasileiro ainda não está otimista. Mas melhorou o seu humor. Assim mostra a primeira edição do Índice de Confiança do Consumidor, divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV): a apuração atingiu 101,5, o que é uma ligeira alta de 1,5% em comparação com setembro (mês de referência). O novo índice se baseia na Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV, que ouviu 2.031 pessoas nas sete das principais capitais do país, de 1º a 21 de outubro.

¿ Há uma melhora na confiança do consumidor, mas não há um sentimento de euforia ¿ resume Aloísio Campelo, economista da FGV.

Dose de otimismo não atinge compra de bens duráveis

O índice de confiança da FGV é formado por dois outros índices: o de situação atual e o de expectativas. Foi justamente esse último que mais influenciou o desempenho do índice, tendo registrado 102,9 (2,9% a mais do que em setembro). A apuração do momento atual, por sua vez, recuou para 99,3 (0,7%).

¿ O fato de a economia ter passado incólume à turbulência política e a perspectiva de taxa de juros em queda melhoram a expectativa do consumidor para os próximos meses. Mas isso ainda não foi suficiente para melhorar sua avaliação do momento atual ¿ explicou Campelo.

Para se ter uma idéia, 21,7% dos entrevistados consideram ruim a situação econômica da sua família. Eram 20,7% em setembro. Já a situação econômica local nos próximos meses deu um salto: passou de 23,8% para 28,3% a quantidade de pessoas que prevêem melhora nesse item.

¿ A mudança de humor do consumidor ainda não atingiu a questão do emprego. Dos entrevistados, 8,1% consideram que será mais fácil obter emprego. Em setembro, eram 9,2%. A desaceleração da economia nos últimos meses gera dúvidas em relação a perspectivas de emprego ¿ pondera Campelo.

O economista acrescenta que a pequena dose de otimismo do consumidor não favoreceu as compras de bens duráveis. Na sondagem anterior, 15,6% disseram que pretendiam comprar um carro ¿ contra 13,8% em outubro. E 5,6% afirmaram ter a intenção de adquirir um imóvel ¿ 5,2% nessa pesquisa:

¿ Isso pode ser uma resposta ao nível de endividamento do consumidor, que está bastante comprometido devido ao crédito facilitado.