Título: BOLSA ACOMPANHA OS EUA E TEM 4ª ALTA
Autor: Patrícia Duarte
Fonte: O Globo, 04/11/2005, Economia, p. 21
Dólar recua para R$ 2,222. Títulos brasileiros caem por causa de inflação americana
RIO e BRASÍLIA. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que perdeu mais de 4% em outubro, teve ontem o quarto dia seguido de valorização e voltou aos 31 mil pontos. Sem notícias relevantes no Brasil, os investidores continuaram buscando nos indicadores dos Estados Unidos justificativas para suas operações no país. Ontem, a produtividade americana acima do esperado impulsionou os ganhos das principais bolsas dos EUA, levando também a Bovespa a uma valorização de 0,65% (31.099 pontos). Na máxima do dia, a Bolsa chegou a subir quase 2%. O recorde, atingido em outubro deste ano, foi de 31.856 pontos.
No mercado de câmbio, o Banco Central (BC) comprou dólares - foi o 20º leilão desde que a autoridade monetária voltou ao mercado de câmbio, em 3 de outubro - mas a atuação não pressionou as cotações. Segundo operadores, quem não conseguiu vender moeda ao BC (que comprou a R$2,237) pela manhã se desfez depois dos dólares no mercado, temendo uma queda maior das cotações. Com isso, a moeda fechou em queda de 1,02%, cotada a R$2,222 para venda. Foi a quarta queda seguida.
Para Greenspan, há incertezas nas perspectivas para a inflação dos EUA
Temores em relação à inflação nos EUA e aos rumos da taxa de juros na maior economia do mundo fizeram minguar o desempenho dos papéis da dívida externa brasileira negociados no mercado internacional. Ontem, em discurso no Congresso americano, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Alan Greenspan, voltou a alertar sobre os riscos da inflação no país, que, no entanto, tem ficado próxima a zero:
- A produtividade estrutural continua crescendo em um ritmo firme, e o processo de reconstrução após a passagem de furacões deve impulsionar o crescimento do PIB por um momento. Mais incertezas, entretanto, cercam as perspectivas para a inflação.
As declarações fizeram com que as taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos batessem novo recorde. Os papéis com vencimento em dez anos - usados como referência para o mercado internacional - atingiram 4,62% ao ano, maior nível em sete meses. As taxas mais altas pagas pelos títulos americanos reduziram a atratividade dos papéis brasileiros, considerados de maior risco. O Global 40, título do Brasil mais negociado, caiu 0,62% ontem, cotado a 119,75% do valor de face. O risco-Brasil - que mede a confiança dos investidores estrangeiros no país - ficou estável em 355 pontos centesimais.
Ontem circularam rumores de que o governo estaria sondando investidores sobre um possível relançamento de títulos com vencimento em 2034. Segundo investidores, há demanda para a nova oferta. O título, lançado pela primeira vez em janeiro de 2004, já foi relançado em maio deste ano, quando o governo conseguiu captar US$500 milhões. A demanda, na época, foi de US$2,5 bilhões.
Desde que voltou a comprar dólares no mercado, no início de outubro, o Banco Central gastou pouco mais de R$7 bilhões, ou aproximadamente US$3 bilhões, levando em consideração a média do câmbio no período. A indicação veio com a divulgação de números sobre a base monetária acumulada no mês passado, até o dia 28, divulgada ontem pela instituição.
Ainda em outubro, o saldo do fluxo cambial no país ficou positivo em US$3,786 bilhões, revertendo o saldo negativo visto no mês anterior, de US$1,298 bilhão. No acumulado do ano, o saldo é de US$13,768 bilhões, 40% a mais do que em igual período de 2004.
COLABOROU: Patricia Duarte (*) Com agências internacionais