Título: AUMENTA TENSÃO ENTRE PERU E CHILE
Autor: José Meirelles Passos
Fonte: O Globo, 04/11/2005, O Mundo, p. 27
Congresso peruano aprova medida que tiraria de Santiago grande área oceânica
LA PAZ e SANTIAGO. O Congresso do Peru aprovou ontem um projeto do governo que estabelece novas fronteiras marítimas, avançando por mares que hoje são chilenos. A medida motivou protestos do Chile e a tensão é tão grande que o presidente chileno Ricardo Lagos teve que vir a público para negar que tenha ordenado uma mobilização de tropas na fronteira com o Peru.
Por 98 votos a zero, o Congresso peruano aprovou uma medida que, caso venha a ser aplicada, transferiria do Chile para o Peru 37.900 quilômetros quadrados de águas oceânicas que estão entre as mais ricas para a pesca em todo o mundo.
Além de votarem a medida, que tem grande apoio popular no Peru, deputados e governo rechaçaram protestos chilenos. Santiago afirmou, em nota oficial na sexta-feira, que a medida "carece de efeito jurídico".
Ontem, o governo peruano respondeu em nota, dizendo que o texto chileno era inaceitável e continha "afirmações inexatas". "A medida constitui um ato soberano do Peru, que não admite ingerências por parte de terceiros Estados".
No Chile, a imprensa chegou a noticiar uma ordem de mobilização de tropas, que foi rapidamente negada pelo governo.
- Não há mobilização. Quando houver algo a ser feito, vamos informar. São temas sérios, delicados. Tranqüilidade, por favor - pediu Lagos, que no dia anterior dissera que "o Chile tem exercido a soberania no mar chileno e continuará a fazer isso".
A fronteira marítima foi acordada pelos dois países em dois tratados, de 1952 e 1954, os últimos acordos posteriores à Guerra do Pacífico (1879-1884), na qual o Chile derrotou Bolívia e Peru. A tensão entre Peru e Chile aumentou este ano depois que um general equatoriano afirmou que o Chile vendeu armas para o Equador durante a guerra entre este país e o Peru, em 1995.