Título: CÃES FAREJADORES NO SAGUÃO DO AEROPORTO
Autor: Antonio Werneck
Fonte: O Globo, 06/11/2005, Rio, p. 22
Produtividade baixa motiva mudança no esquema de combate ao tráfico internacional
A mudança de delegados na chefia do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no mês passado, não será a única medida para tentar melhorar a produtividade da principal rota de saída de drogas do Rio para o exterior. Com apenas 38 quilos de cocaína apreendidos este ano, contra 201 no ano passado (queda de 81%), a fiscalização da PF no Aeroporto Internacional vai sofrer uma reformulação total.
Uma das mudanças foi anunciada anteontem pela Polícia Federal de Brasília: a exemplo de aeroportos americanos, o saguão do Aeroporto Tom Jobim terá cães farejadores, conduzidos por policiais federais, circulando entre os passageiros.
Agentes estão sendo treinados nos EUA
Um grupo de policiais federais já está nos Estados Unidos passando por treinamentos. Os cães também serão adestrados para farejar drogas e explosivos.
¿ A idéia é atuarmos contra as quadrilhas de tráfico internacional de drogas que usam o aeroporto do Rio e contra possível ações terroristas ¿ disse um delegado federal do setor de Inteligência da PF, em Brasília, que pediu para não ser identificado.
O delegado Ronaldo Urbano, diretor da Coordenação Geral de Prevenção e Repressão a Entorpecentes (CGPRE), a unidade central de combate às drogas no país, confirmou a informação. Ele acrescentou que este ano cerca de 20 policiais federais do Rio, lotados no Aeroporto Internacional Tom Jobim, vão passar por cursos de reciclagem para melhorar o rendimento das apreensões de drogas.
¿ Detectamos uma falha e uma acentuada queda de produtividade na quantidade de droga apreendida no Rio. Portanto, vamos ter que reformular tudo ¿ disse Urbano.
A queda de 81% mudou a média de apreensões de cocaína no Aeroporto Internacional do Rio. Foram 194 quilos em 2001; 181 em 2002; 205 em 2003; e 201 em 2004. Uma média de 195 quilos por ano.
¿ Os 38 quilos deste ano foram uma surpresa até para nós. Ninguém esperava uma queda tão acentuada ¿ disse Urbano.
Um levantamento feito pela direção da PF mostrou que o Rio não teve em 2005 apenas um desempenho ruim em comparação com o ano passado. Apenas como exemplo, este ano os policiais do Aeroporto Internacional de São Paulo apreenderam 770 quilos de cocaína. O Rio, com apenas 38 quilos, também ficou atrás de aeroportos brasileiros menores, como os internacionais de Corumbá (com 99 quilos apreendidos) e Fortaleza (com 80 quilos).
Ainda segundo o estudo da PF, do total de apreensões de cocaína nos aeroportos brasileiros este ano, 52,3% se destinavam à Africa, mostrando que atualmente a principal rota das quadrilhas internacionais liga o país ao continente africano. Para a Europa, seguiriam 37 % da cocaína apreendida.
Em 58% dos casos, a cocaína estava escondida em compartimentos falsos nas bagagens dos passageiros. Em roupas ou calçados estavam escondidos 8,7% das drogas, enquanto apenas 6,5% da cocaína foram encontrados presos ao corpo. Para o delegado Ronaldo Urbano, o levantamento vai permitir direcionar a ação da polícia. O estudo da PF brasileira será apresentado este mês em Portugal, durante encontro internacional entre autoridades policiais de combate às drogas.