Título: OPERAÇÃO FAXINA NA PF
Autor: Antonio Werneck
Fonte: O Globo, 06/11/2005, Rio, p. 22

São 140 policiais sob investigação, a quinta parte de todo o efetivo do estado

Okern 0.009 Os casos estão passando pelo crivo de sindicâncias e processos administrativos disciplinares (PADs) instalados este ano (até setembro) por três comissões disciplinares da Corregedoria Geral da PF no Rio. Os policiais podem sofrer advertência ou até ser demitidos. São 107 sindicâncias e 38 PADs investigando principalmente casos graves de corrupção. Um aumento de 65% comparado com todo o ano passado, quando 63 sindicâncias e 22 PADs foram instalados.

¿ Apesar de o policial correr o risco de ser demitido, a atuação da corregedoria é inibitória. Queremos corrigir e não punir ¿ disse o corregedor, delegado Victor Cesar Santos.

Comissão investiga delegados no Rio

Para tentar barrar a corrupção envolvendo policiais e melhorar a produtividade no Rio, várias medidas estão sendo tomadas. O superintendente do Rio, delegado José Milton Rodrigues, determinou no início do mês passado a troca de 90% das chefias de delegacias da PF do Rio. Dois delegados de fora do Rio foram convocados e postos para comandar a DRE, enquanto pelo menos três delegados foram convidados para assumir postos fora do Estado do Rio. Depois do roubo, 56 policiais federais foram afastados de suas funções. Uma das mais importantes do país, a PF do Rio ostenta a fama entre os próprios policiais federais brasileiros de ser uma das mais corruptas do país.

¿ A fama da PF do Rio realmente é ruim, mas estamos trabalhando para mudá-la ¿ disse José Milton Rodrigues.

A situação é tão grave que uma comissão formada por delegados federais de outros estados está no Rio para investigar um grupo de delegados suspeitos de crimes.

¿ Para o público externo não deve ser uma notícia boa ver tantos policiais suspeitos de crime na polícia considerada a elite do país, mas internamente a notícia é ótima. Trabalhar com bandidos armados e com distintivo é a pior coisa que existe para um policial honesto ¿ disse o delegado Ronaldo Urbano, diretor da Coordenação Geral de Prevenção e Repressão a Entorpecentes, em Brasília.

Urbano lembra que o combate à corrupção dentro da Polícia Federal é extremamente necessário:

¿ Precisamos retirar as maçãs podres do cesto para que evitar a contaminação ¿ afirmou.

Uma parte dos 140 policiais federais que estão sendo investigados pela corregedoria foi identificada durante a Operação Planador (desencadeada há dois anos). Ao todo, 13 policiais foram presos em 2003, mas o número de investigados aumentou depois de que um dos presos decidiu colaborar e prestou um longo depoimento à Justiça federal. Eles são suspeitos de falsificação de passaportes, sonegação fiscal, contrabando, lavagem de dinheiro e tráfico de mulheres e de crianças.