Título: `Os excluídos de sempre continuam de fora¿
Autor: Luciana Rodrigues
Fonte: O Globo, 06/11/2005, Economia, p. 34

Diretor da UFF no Norte Fluminense, o cientista social José Luís Vianna da Cruz sugere que os royalties sejam usados em programas de qualificação profissional. Cruz mostrará números sobre a pobreza no entorno de Macaé num debate sobre royalties, no evento ¿Interlatinidades 2005¿, esta semana na UFF.

Qual é a importância dos royalties para a economia e as finanças do estado?

JOSÉ LUÍS VIANNA DA CRUZ: Estamos ainda no auge da exploração. É possível tirar grande proveito dos recursos, que geram emprego, renda e receitas para o estado. Em Macaé, há milhares de empresas atuando como fornecedoras da Petrobras, são 30 mil postos de trabalho. Num primeiro momento, isso abriu um mercado imenso para trabalhadores com alguma qualificação. Mas, agora, a mão-de-obra local sofre concorrência nacional. E a região ainda tem elevado índice de pobreza.

Por que a pobreza não recuou?

CRUZ: Há uma massa de mão-de-obra muito desqualificada que não tem acesso aos empregos nem às oportunidades de qualificação. Os cursos são pagos, como no Sistema S (Sesc, Senac, Senai e Sebrae, por exemplo), ou têm seleção rigorosa, na Cefet e Uenf (universidades). A renda do petróleo poderia ser usada para qualificação profissional.

Os programas atuais não atendem?

CRUZ: Os excluídos de sempre continuam de fora. Os programas não têm escala nem perfil adequado. É preciso oferecer cursos noturnos ou bolsa-auxílio. O aluno tem que receber de graça equipamento e material didático. Precisa haver um esforço para ampliar a escolaridade. Nessas condições, em um ano haverá grande oferta de mão-de-obra qualificada. (Luciana Rodrigues)