Título: DIVIDIDO, CONSELHO VOTA HOJE CASSAÇÃO DE ROMEU QUEIROZ
Autor: Evandro Éboli
Fonte: O Globo, 08/11/2005, O País, p. 8

Caciques da política mineira tentam salvar mandato de petebista

BRASÍLIA. O Conselho de Ética vota hoje, dividido e sob pressão, o processo contra o deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), acusado de receber irregularmente dinheiro para campanha das contas do empresário Marcos Valério de Souza. O relator Josias Quintal (PSB-RJ) pediu a cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. Mas pesos-pesados da política mineira tentam salvar Queiroz. E os tucanos no Conselho ainda discutem como vão votar. Além de recursos do valerioduto, o petebista é acusado de não ter declarado o repasse de R$350 mil feito pelo PT ao PTB em 2004.

O ministro do Turismo, o mineiro Walfrido Mares Guia, do PTB, e até o senador Eduardo Azeredo (PSDB), ex-governador de Minas, saíram em defesa de Queiroz. Azeredo ligou para o deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) e pediu que analisasse bem o caso.

Queiroz disse ter o apoio de Mares Guia, mas negou que o ministro atue em seu favor:

¿ O ministro é quase um irmão. Trabalhamos juntos há 30 anos. Ele torce para mim, mas não mistura as coisas.

Os mineiros foram cobrados a apoiar Queiroz. Edmar Moreira (PFL) ouviu que o caso dele é semelhante ao de outro conterrâneo, Roberto Brant (PFL). O pefelista foi parar no Conselho por ter recebido doação de R$102 mil da Usiminas, repassados pelas agências de Valério.

Tucanos pediram vista do processo de Queiroz

Thame reúne-se hoje com Carlos Sampaio (PSDB-SP) para decidir como votar. Os dois pediram vista do processo de Queiroz, o que adiou a votação. José Carlos Araújo (PL-BA) e Nelson Marquezelli (PTB-SP) fizeram o mesmo. O parlamentar que pede vista geralmente é contrário ao parecer do relator.

Sampaio anunciou que apresentaria voto em separado propondo a suspensão do mandato por 30 dias. Os que têm dúvidas sobre a culpa de Queiroz podem apoiar a proposta de Marquezelli, que vai sugerir apenas uma advertência verbal ao deputado. Para isso, é preciso derrubar o parecer do relator Josias Quintal. Ele pede a cassação por prática de caixa dois, mas conclui que o deputado não ficou com o dinheiro.

¿ Vivo a expectativa de ser inocentado. Os valores recebidos não foram para mim ¿ afirmou Queiroz.

Orlando Fantazzini (PSOL-SP), integrante do Conselho, teme que o arquivamento do processo de Queiroz possa "abrir a porteira", já que praticamente todos os cassáveis, inclusive os petistas, respondem à mesma acusação de recebimento de recursos do valerioduto.

¿ O caso não é diferente dos demais. Não podemos votar com base nas siglas ou nas amizades. Os fatos estão acima de tudo ¿ disse Fantazzini.