Título: Acervo tem mais de 8 milhões de peças
Autor: Alessandro Soler e Carla Rocha
Fonte: O Globo, 08/11/2005, Rio, p. 13

A história da Biblioteca Nacional se confunde com a própria história do país. Ela é a instituição cultural mais antiga do Brasil. É a oitava maior biblioteca nacional do mundo, com cerca de oito milhões de peças e capacidade para atender mensalmente a 15 mil pedidos de consulta.

Seu acervo foi herdado da Real Livraria de Lisboa, uma das mais importantes da época, que em 1755 foi destruída depois de um terremoto na cidade, seguido de um incêndio. Depois foi construída a Real Biblioteca da Ajuda, mas com a invasão de Napoleão Bonaparte a Portugal, a Família Real foi obrigada a vir para o Rio, em 1808, trazendo seu rico acervo.

Este poderia ter se desatualizado, mas, desde o século XIX, a Biblioteca Nacional recebe pelo menos um exemplar de toda obra impressa no país, razão pela qual se mantém atual e ampla. Em seu acervo, há peças raras de várias áreas do conhecimento.

Só na área de música, há 220 mil peças, incluindo as primeiras edições de Haydn, Mozart, Beethoven e outros compositores dos séculos XVIII e XIX. A Biblioteca Nacional também tem dois exemplares da Bíblia de Mogúncia (Bíblia Latina), que é o primeiro impresso que contém data, lugar de impressão e nome dos impressores (Johann Fust e Peter Schoeffer) no colofão (página de rosto, ou de abertura, de um livro), em pergaminho, com letras capitais feitas a mão com tinta azul e vermelha. Na biblioteca também estão a primeira edição de ¿Os Lusíadas¿ (1562) e estampas originais de artistas brasileiros, como Osvaldo Goeldi, Carlos Oswald e Iberê Camargo. Não bastasse o rico acervo, o prédio da biblioteca tem um dos saguões mais impressionantes do país, com arquitetura eclética do fim do século XIX e início do XX, que mistura elementos neoclássicos e de art nouveau.