Título: TAXA ELEVADA COMPENSA RISCOS DE INVESTIMENTO
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 08/11/2005, Economia, p. 19
JP Morgan, Lehman Brothers e Morgan Stanley recomendam ativos do país
Apesar da crise política recente e da forte valorização dos ativos brasileiros este ano, bancos estrangeiros como JP Morgan, Morgan Stanley e Lehman Brothers recomendam investimentos no mercado local. Em relatório assinado pela analista Joyce Chang, o banco JP Morgan destaca que continua apostando numa alta dos mercados no Brasil, Turquia e México. Segundo o documento ¿as taxas de juros da América Latina são altas o suficiente para absorver eventuais oscilações do mercado, mantendo a atratividade do investimento¿. O banco recomenda ainda a compra de títulos da dívida brasileiros ¿ bem como os da Argentina, Turquia, Venezuela e Filipinas ¿ e afirma que os ativos no Brasil estão resistentes à volatilidade dos mercados internacionais.
Segundo o relatório, o real deve continuar sua trajetória de valorização em 2006, apesar da expectativa de que os juros americanos cheguem a 5% ao ano no primeiro trimestre. Para o JP Morgan, o nível elevado das reservas internacionais deve abrir espaço para que o Banco Central (BC) reduza o ritmo de compra de moeda no mercado de câmbio, o que deve manter o real valorizado.
Em outro documento, o banco Morgan Stanley aponta que há cerca de US$4 bilhões em juros e amortização que serão pagos entre novembro e dezembro pelos países emergentes ao detentores de seus títulos. Com o dinheiro extra na mão, afirma a instituição no documento enviado a clientes, os investidores devem reinvestir recursos nestes mercados, gerando nova valorização.
Rashique Rahman, estrategista do banco HSBC em Nova York, faz coro com o Morgan Stanley e diz, também em relatório publicado ontem, acreditar numa corrida para os papéis de emergentes no fim do ano. Já o Lehman Brothers, no relatório ¿Caça às barganhas¿, destaca que os preços dos ativos de Brasil e Argentina estão num patamar interessante para os investidores, já que não há choques previstos até o fim do ano. Mas ressalta que há perigos relacionados ao cenário político na América Latina. Entre as maiores apostas, está a aplicação nos altos juros brasileiros. (Patricia Eloy)