Título: CARROS SÃO INCENDIADOS NA ALEMANHA
Autor: Vivian Oswald
Fonte: O Globo, 08/11/2005, O Mundo, p. 26

Atos de vandalismo ocorreram em bairros de maioria turca em Berlim e Bremen

BERLIM. Provocando temor nas autoridades alemãs, carros foram queimados domingo em Bremen e Berlim. Os atos de vandalismo foram acontecimentos isolados, mas a preocupação de que as cenas de revolta e vandalismo na França se repitam na Alemanha está no ar.

Em Moabit, bairro berlinense no qual a população é predominantemente de imigrantes turcos e onde há altas taxas de desemprego, foram queimados cinco carros. Em Bremen, seis carros e uma escola foram incendiados.

O secretário do Interior de Berlim, Ehrhart Koerting, não excluiu a possibilidade de que os incêndios tenham sido influenciados pelas imagens francesas.

Embora parte da imprensa alemã tenha afirmado que a rede de proteção social do país seja melhor do que a francesa, o que reduziria a chance de uma revolta, a situação preocupa o governo. Mesmo que jornais conservadores tenham publicado que a Alemanha teria uma política de conceder vistos de permanência no país mais favorável a imigrantes que a França, o problema é que as leis alemãs sequer permitem que filhos e netos de imigrantes turcos, mesmo nascidos no país, tenham direito à cidadania alemã. Ou seja, se na França um dos motivos da rebelião seria o fato de os descendentes de imigrantes serem cidadãos de segunda classe, na Alemanha muitos sequer são cidadãos.

O futuro ministro do Interior, Wolfgang Schaeuble, alertou ontem para o potencial de conflito dos bairros com uma grande quantidade de imigrantes que se isolam cada vez mais do resto da sociedade. Segundo ele, os jovens de origem estrangeira precisam ¿dominar melhor o idioma alemão¿ para ter maiores chances no mercado de trabalho.

Cohn-Bendit alerta para clima de tensão na Europa

Daniel Cohn-Bendit, um dos líderes da revolta de maio de 1968 em Paris, disse ontem que os guetos da França são piores do que os de cidades como Berlim, mas acrescentou que há um ¿clima de tensão¿ também em outras metrópoles européias.

Para Cohn-Bendit, que tem passaporte francês e alemão, os países da União Européia têm que ¿fomentar uma política de integração¿ dos imigrantes:

¿ Com uma posição de dureza do governo, a conseqüência poderá ser a erupção da violência em um número muito maior de cidades ¿ acrescentou.