Título: Rosinha Garotinho: 'Mas o que é uma multa?'
Autor: Maiá Menezes
Fonte: O Globo, 12/11/2005, O País, p. 12

Governadora e secretário dizem agradecer a Deus pela decisão do TRE, que garantiu a elegibilidade dos dois

RIO E GOIÂNIA. A governadora Rosinha Garotinho deverá recorrer da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que lhe impôs multa de 100 mil Ufirs (cerca de R$100 mil) por abuso de poder político e econômico. A decisão foi tomada na mesma sessão que suspendeu a cassação dos direitos políticos da governadora e do presidente regional do PMDB, Anthony Garotinho. A vitória apertada, causada pelo desempate do presidente do TRE, desembargador Marlan Marinho, não incomodou a governadora:

- O que importa é a vitória - disse Rosinha, que disse ainda não ter sido notificada sobre a multa:

- Mas o que é uma multa? - perguntou a governadora.

Evangélicos, a governadora Rosinha e o secretário de Governo comemoraram a decisão do plenário do TRE agradecendo a Deus. Os dois acompanharam as oito horas de julgamento em casa, no Palácio Laranjeiras, ao lado dos filhos, do pastor da Igreja Presbiteriana Luz do Mundo - freqüentada pelo casal aos domingos - Eber Lenz, e do candidato do PMDB à eleição em Campos, Geraldo Pudim.

- Fiquei em oração, juntamente com a minha família, meu marido e meus amigos. Eu confio na Justiça. O Deus que eu proclamo, que é de amor, também é o Deus de Justiça - disse a governadora, durante a apresentação do protótipo do carro Obvio, produzido na Baixada Fluminense, no Palácio Guanabara.

Garotinho, que esteve ontem em Goiânia para se reunir com integrantes do PMDB, foi evasivo ao falar da decisão do TRE, mas também agradeceu a Deus em seu programa de rádio:

- O próprio presidente do TRE disse que não podia punir alguém que não tivesse se candidatado. Entrego isso para Deus. Não quero mais falar sobre esse assunto.

A votação do plenário ficou empatada em 3 a 3 e, com isso, a decisão ficou com o presidente do TRE, que votou a favor do casal

Garotinho e Rosinha acompanharam o julgamento por sites de informação na internet, pelas rádios e por telefonemas dos advogados que estavam no tribunal. Quando o placar estava em 3 a 1, o ex-governador ficou tenso, de acordo com amigos que acompanharam o julgamento no Laranjeiras, mas depois do resultado o clima foi equivalente ao vivido no dia em que a governadora venceu a eleição: a família se abraçou e Garotinho chegou a gritar para comemorar.

O coordenador do movimento Rio Para Todos, Francisco Paladino, criticou a decisão do TRE.

- Foi uma decepção bastante grande. A gente tinha esperança de que as evidências da juíza fossem bem acolhidas. Garotinho era o presidente do PMDB e na sede descobriram numerário. Isso não é suficiente para configurar o crime?

Decisão fecha caminho para Pudim em Campos

PMDB deve escolher novos candidatos a prefeito e vice

CAMPOS. A decisão do plenário do TRE, que tornou inelegíveis o candidato a prefeito de Campos pelo PMDB, Geraldo Pudim, e o vice, Claudecis Silva, levou o grupo político de Garotinho a traçar outros planos para o partido no município. Sem Pudim, a escolha deverá ser entre o deputado estadual Paulo Albernaz e o secretário de Integração Governamental, Luiz Rogério Magalhães. Pudim, candidato derrotado às eleições em outubro do ano passado, foi lançado novamente candidato para o próximo pleito, ainda sem data fixada pelo TRE.

O candidato, no entanto, disse que concorrerá à prefeitura, mesmo inelegível. Ele disse ontem ter recebido de Garotinho essa promessa. Pudim anunciou ainda para o próximo dia 20 um encontro com a presença de Garotinho e de Rosinha em Campos, em que a chapa seria mantida.

- Parte da sentença da juíza, no que diz respeito a mim e ao meu vice, foi reformada. Nós saímos do artigo 41-A (que pune a compra de votos) e a acusação agora é de favorecimento com programas sociais do estado. Vamos recorrer da decisão e com certeza seremos absolvidos. Por isso nossa candidatura está mantida, respeitando a convenção realizada no mês passado - disse Pudim.

As convenções partidárias em Campos confirmaram os nomes de Geraldo Pudim (PMDB), Alexandre Mocaiber (PDT) - prefeito em exercício -, Paulo Feijó (PSDB), Makhoul Moussalém (PT), o ex-prefeito Rockfeller de Lima (PFL) e Walter Silva Júnior (PV)).