Título: BRASILEIROS AGORA QUEREM A VARIG
Autor: Érica Ribeiro
Fonte: O Globo, 12/11/2005, Economia, p. 33
Controladores de VarigLog e VEM ajudaram a estruturar venda das subsidiárias
Os brasileiros que se tornaram os maiores acionistas da VarigLog e da Varig Engenharia e Manutenção (VEM), subsidiárias da Varig, querem investir agora na própria companhia aérea. Álvaro Gonçalves e Alberto Camões pretendem se juntar de novo à TAP, agora na segunda fase do plano de recuperação da Varig, quando será negociada a venda da empresa para investidores.
- Já temos um desenho para a segunda fase do processo de recuperação da Varig e vamos buscar fontes adicionais de capital. Nosso negócio é investir em empresas viáveis - afirma Gonçalves, um dos donos da Aero LB Participações, empresa criada em parceria com a TAP e com investidores de Macau para a aquisição das ações de VarigLog e VEM.
Segundo Gonçalves, o relacionamento dele e de Camões com Varig, TAP e BNDES vem de longa data. Ele afirmou que ajudou a criar a engenharia financeira e societária que resultou na compra das duas subsidiárias.
- Não aparecemos do nada. Acompanhamos o setor aéreo de perto e tivemos contato com a Varig em outros momentos da empresa, apresentando sugestões, desenhos que não foram à frente por falta de um investidor ou de parceiros. Quando a TAP declarou publicamente o interesse na operação, mostramos uma alternativa à empresa portuguesa e ao BNDES, e o resultado ficou muito próximo de nossa sugestão. No dia 3 de novembro a TAP nos convocou para entrar no processo - explicou Gonçalves.
A entrada como investidores individuais foi feita, segundo ele, dentro dos padrões exigidos pela legislação. Gonçalves e Camões criaram uma holding, a VMVL Participações, como figura jurídica para o aporte de recursos próprios na operação.
- Nossa participação na parte que coube aos investidores é de menos de 10% do total (de US$21 milhões) - afirma.
A operação de venda das subsidiárias da Varig já começa a ser contestada. O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) - que reúne a Varig e também as concorrentes, como TAM e Gol - pediu ao Departamento de Aviação Civil (DAC) esclarecimentos sobre os critérios legais da operação. A associação Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) também vai entrar na Justiça do Rio com ação sobre os prejuízos que a venda das subsidiárias por US$62 milhões podem trazer à empresa e aos credores.
Em nota, a TAP informou que já esperava uma reação das concorrentes da Varig e que tomará as providências jurídicas.