Título: GENE AUMENTARIA RISCO CARDÍACO EM NEGROS
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Fonte: O Globo, 12/11/2005, Ciência e Vida, p. 39

Estudo intensifica polêmica sobre eficácia de desenvolver medicamentos para etnias

NOVA YORK. Numa descoberta que aumentará a discussão sobre o mérito da chamada medicina étnica, uma empresa da Islândia anunciou ter encontrado uma versão de um gene que aumenta em 250% o risco de ataque cardíaco entre a população negra americana. A DeCode Genetics primeiro encontrou a variante entre islandeses. Depois, procurou-a em habitantes das cidades americanas de Filadélfia, Cleveland e Atlanta.

Entre os americanos de origem européia, a variante é comum, mas acarreta apenas um pequeno aumento de risco, de cerca de 16%. O oposto é verdade entre negros. Somente 6% deles apresentavam a variante. Porém, esse grupo tinha um risco 3,5 vezes maior de sofrer um ataque cardíaco do que aqueles que têm a versão normal do gene. A descoberta foi anunciada pela equipe da geneticista Anna Helgadottir, da DeCode, num artigo online da revista "Nature Genetics".

Kari Stefansson, diretor da DeCode, disse que se reunirá com a Associação de Cardiologistas Negros dos EUA e outros grupos para discutir se vale a pena testar uma droga para o coração na população negra. A droga DG031 inibe a ação de um gene associado àquele na qual foi descoberta a variante.

Em 2004, o remédio BiDil provocou reações distintas após se mostrar capaz de reduzir ataques cardíacos em negros, mas não oferecer vantagem a outros grupos étnicos. Geneticistas vêem com desconfiança drogas para grupos étnicos. Eles consideram mais razoável pensar em variações individuais, mais freqüentes em determinadas população e não relacionadas à cor da pele ou outras características