Título: PARA UE, ACORDO NA OMC FRACASSARÁ POR INTRANSIGÊNCIA DE BRASIL E EUA
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Fonte: O Globo, 14/11/2005, Economia, p. 14
O presidente da Comissão Européia (CE), o português José Manuel Barroso, disse ontem que a rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) para um pacto comercial global em dezembro vai fracassar se Estados Unidos e Brasil não fizerem concessões. Por sua vez, Brasil e outros países emergentes cobram da UE uma redução substancial de seus subsídios agrícolas.
¿ Se os outros não agirem, não haverá acordo ¿ disse Barroso a uma rádio francesa.
Negociadores da área de comércio de todo o mundo têm afirmado que suas diferenças ainda são grandes para que seja possível finalizar um esboço de acordo para uma nova rodada da OMC, que será realizada em Hong Kong, entre os dias 13 e 18 de dezembro, com os 148 membros da organização.
Emergentes cobram mais acesso a mercados da UE
No início de novembro, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou que a reunião de Hong Kong deve alcançar apenas um resultado parcial, devido aos impasses existentes. Para o ministro da Agricultura da Austrália, Peter McGauran, os países emergentes precisam ter mais acesso aos mercados europeus.
¿ É um absurdo essa barreira ¿ disse McGauran. ¿ O principal interesse da Austrália é o acesso a mercados. Este é o ¿x¿ questão.
O maior problema têm sido os desentendimentos sobre o tamanho do corte dos subsídios, tarifas e outros mecanismos de apoio considerados desleais adotados por Estados Unidos e União Européia (UE). Em outubro, o representante comercial da UE, Peter Mandelson, anunciou uma série de cortes e exigiu contrapartida de seus parceiros comerciais. Brasil e Índia, no entanto, rejeitaram a proposta por considerá-la muito tímida e cobraram menos entraves a seus produtos no mercado europeu.
Já o representante comercial da Casa Branca, Robert Portman, afirmou na semana passada que não obteve dos europeus avanços num compromisso de redução de subsídios agrícolas. Os EUA propuseram acabar com seus mecanismos de apoio à exportação de produtos agrícolas até 2010 e reduzir à metade seus incentivos internos.