Título: DÓLAR INTERROMPE CICLO DE QUEDAS E SOBE 2,1%
Autor: Helena Celestino/Martha Beck
Fonte: O Globo, 15/11/2005, Economia, p. 23

Especulação em torno de permanência de Palocci e leilão do BC levam moeda a R$2,21

O dólar interrompeu ontem um ciclo de dez quedas consecutivas e avançou mais de 2% num dia repleto de especulações em torno da possível saída de Antonio Palocci da pasta da Fazenda e da retomada dos leilões de swap cambial pelo Banco Central (BC), além da tradicional compra de moeda no mercado à vista. O dólar encerrou os negócios com valorização de 2,13%, cotado a R$2,21 para venda. Foi a maior alta percentual desde o dia 11 de agosto, quando o dólar subiu 2,89%. No ano, porém, a moeda acumula queda de 16,73%.

O noticiário de fim de semana, recheado de rumores sobre uma eventual saída de Palocci do governo, deu ampla munição para os investidores especularem. O dólar já iniciou os negócios em alta de 1,16% (R$2,188) e, na máxima do dia, chegou a R$2,213, impulsionado por uma nova compra de moeda pelo BC, que adquiriu dólares a R$2,204. Além do cenário político, analistas especulavam sobre a volta dos leilões de swap reverso, que aconteciam tradicionalmente às quartas-feiras e funcionam, na prática, como uma compra de dólares no mercado futuro. Após serem interrompidos em março, na última sexta-feira o BC anunciou que os leilões deixariam de ser semanais e passariam "a depender das condições de mercado". Para investidores, isso significa que as atuações podem ocorrer diariamente.

Risco-Brasil sobe 1,44%, para 352 pontos centesimais

Os leilões, que aconteceram entre fevereiro e março deste ano, conseguiram segurar a forte desvalorização da moeda americana frente ao real. A expectativa agora é que, com a retomada dos leilões do BC, o dólar interrompa, mesmo que a curto prazo, o ritmo de queda acelerada.

- A especulação deve perder força nas próximas semanas, com uma definição do cenário político. Em relação aos leilões, não acredito que seja do interesse do Banco Central que o dólar se aprecie drasticamente, pois isso poderia gerar riscos inflacionários - avalia Francisco Gimenez Netto, gerente da mesa de câmbio da NGO Corretora.

As incertezas políticas fizeram o risco-Brasil subir 1,44%, para 352 pontos centesimais, e o Global 40 (título brasileiro negociado no exterior) cair 0,50%, para 120,5% do valor de face. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 0,96%.

Em relatório publicado ontem, o banco suíço UBS traça um quadro otimista para o mercado acionário brasileiro. A instituição avalia que a economia latino-americana começa 2006 com as melhores condições da história recente: "Os principais países crescerão 3% ou mais e terão inflação de cerca de 5% ou menos". O UBS - que destaca o baixo patamar de risco dos países - espera que as ações brasileiras tenham ganhos de 27% nos próximos 12 meses.

Já relatório da consultoria americana EmergingPortfolio.com mostra que os estrangeiros estão investindo alto no Brasil: em outubro, o país respondeu por 13,36% do total alocado em mercados emergentes, ante 12,29% em setembro e 11,32% em agosto. No mês passado, o país só perdeu para a Coréia (18,01%).