Título: AÇÃO BEM-VINDA
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Fonte: O Globo, 17/11/2005, Opinião, p. 6

O acordo sobre Gaza que a secretária de Estado Condoleezza Rice arrancou de israelenses e palestinos numa surpreendente investida diplomática mantém viva a proposta dos Estados Unidos para a criação do Estado palestino. Ao mesmo tempo, deixa a impressão de que o Departamento de Estado é o único setor do governo Bush que ainda funciona plenamente.

Sem esse pacto que assegura aos palestinos o direito de entrar e sair, a Faixa de Gaza, imenso acampamento de refugiados durante a ocupação israelense, continuaria sendo uma prisão para eles, mesmo depois da histórica retirada de tropas ordenada pelo primeiro-ministro Ariel Sharon.

Em sua visita a Jerusalém, a secretária americana convenceu os negociadores israelenses de que o acesso poderia ser liberado sem comprometer a segurança de Israel.

O êxito da missão de Condoleezza mostra a importância da presença do chefe da diplomacia americana em pontos de conflito. Quando as negociações empacam, muitas vezes só a intervenção pessoal de secretários de Estado - ou de presidentes - é capaz de desatar o nó.

Também fica demonstrado, por contraste, o mal infligido à causa da paz na região pela atitude do governo Bush. Desde o início, o presidente se recusou a agir diretamente, interrompendo uma longa tradição de envolvimento pessoal que já levou ao Oriente Médio autoridades americanas do mais alto nível - como os secretários de Estado Henry Kissinger e James Baker e os presidentes Jimmy Carter e Bill Clinton.

É uma mudança tardia, mas substancial e bem-vinda.