Título: Grampos mostrariam cobrança de propina
Autor: Soraya Agege de Carvalho/Carlos Severino
Fonte: O Globo, 17/11/2005, O País, p. 10
Gravações autorizadas pela Justiça comprovam envolvimento em fraudes de ex-assessores de Palocci, diz MP
RIBEIRÃO PRETO. A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público estadual têm gravações de ligações telefônicas, autorizadas pela Justiça, que incriminam atuais e ex-assessores do ministro da Fazenda com a Máfia do Lixo durante a segunda gestão de Antonio Palocci como prefeito de Ribeirão Preto (2001/2002).
O esquema consistia em superfaturar contratos de coleta e varrição de ruas feitas pela empreiteira Leão & Leão. Foram interceptadas ligações nas quais assessores do então prefeito pediam propinas a diretores da Leão & Leão.
Num mês, empresa pagou propina de R$300 mil
Numa dessas ligações, Isabel Bordini, então superintendente do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), teria negociado com a Leão & Leão o pagamento de R$300 mil num determinado mês como propina para o caixa dois do PT.
Numa gravação em poder dos promotores, Isabel conversa com Fernando Fischer, gerente comercial da Leão & Leão. Nessa conversa, em 2002, ela pede à empreiteira que doe R$300 mil para o caixa dois do PT, já que o partido estaria necessitando desse valor com urgência. A Leão & Leão recebia, na época, aproximadamente R$2,2 milhões por mês pela coleta e varrição de ruas na cidade.
O delegado Benedito Antonio Valencise confirmou a existência das ligações gravadas, mas preferiu não citar nomes de envolvidos até que todos sejam indiciados. Ele poderá também pedir a prisão de alguns investigados.
Apesar de o delegado não confirmar nomes, já há uma decisão tomada sobre os indiciados que podem ser presos. Um dos envolvidos já chegou a ser detido: o advogado Rogério Buratti. Em agosto, ele foi chamado a depor no inquérito que apura a Máfia do Lixo e saiu preso da Delegacia Seccional de Ribeirão Preto. Depois, foi favorecido com a delação premiada.
Buratti acusou ministro de receber mesada
Na ocasião, Buratti afirmou que o então prefeito Palocci recebia uma mesada de R$50 mil. O dinheiro seria usado no caixa do PT administrado pelo ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares.
O inquérito presidido por Valencise deverá ser concluído em dezembro. O delegado voltou a reafirmar que tem documentos e indícios de crimes de peculato, superfaturamento e formação de quadrilha na prefeitura de Ribeirão Preto.
- Não tenho provas que incriminem individualmente qualquer pessoa - disse Valencise, respondendo sobre a participação de Palocci no esquema da Máfia do Lixo.
(*) Especial para O GLOBO
(**) Enviada especial