Título: VIOLÊNCIA AMEAÇA O DESENVOLVIMENTO
Autor: Demétrio Weber e Gralda Doca
Fonte: O Globo, 19/11/2005, Economia, p. 36
Taxa de homicídio de brancos é escandalosa, diz ONU. A de negros é o dobro
No relatório que dedicou ao debate sobre o desenvolvimento humano sob a ótica racial, as Nações Unidas adicionaram a violência aos indicadores de trabalho, renda e escolaridade. A idéia foi chamar a atenção para o impacto que as mortes violentas, que afetam maciçamente os jovens negros, têm causado na esperança de vida. E alertar para os danos ao próprio desenvolvimento do país, como afirmou o editor-chefe da publicação, Carlos Lopes, ex-representante do Pnud no Brasil.
Logo nas primeiras páginas, o documento trata da taxa de homicídios. Citando o Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, e o IBGE, o relatório informa que, em 2001, o índice de assassinatos de homens brancos no país era de 102,3 por cem mil habitantes, marca considerada ¿escandalosa¿. E continua:
¿Para os jovens negros, porém, a taxa era duas vezes maior: 218,5 a cada cem mil deles foram vítimas de assassinato, um risco equivalente ao de morar em países em guerra civil. A maior parte dos jovens negros assassinados vivia em favelas, bairros periféricos e subúrbios das grandes cidades.¿
O relatório dedica um capítulo inteiro ao tema violência, segurança pública e cidadania. Nele, a ONU denuncia que o país contabilizou 646.158 assassinatos entre 1980 e 2001, numa taxa que saltou de 11,7 homicídios por cem mil habitantes para 30,6 em duas décadas. ¿É como se toda a população de uma cidade como Paraty (RJ) ou Gramado (RS) fosse dizimada anualmente. No ranking mundial de homicídios, diz o relatório, o Brasil só perde para Colômbia, África do Sul e Venezuela.