Título: DISPARIDADES TAMBÉM NA EDUCAÇÃO
Autor: Demétrio Weber e Gralda Doca
Fonte: O Globo, 19/11/2005, Economia, p. 36
As desigualdades raciais se estendem à educação, afirma o relatório da ONU. Embora as taxas de escolaridade tenham melhorado para toda a população brasileira nas últimas décadas, a diferença de anos de estudo entre brancos e negros subiu de 1,7 para dois anos entre 1960 e 2000. A escolaridade média dos brancos passou de 2,7 para 6,7 anos no período, enquanto a dos negros subiu de um para 4,7 anos.
O relatório mostra ainda que o analfabetismo entre adultos é um problema que afeta 18,7% da população negra e 8,3% da população branca. E revela que, no ensino superior, apenas 2,5% dos negros de 18 a 24 anos estavam matriculados em 2000, contra 11,7% dos brancos. Segundo a ONU, a presença dos negros é maior em cursos universitários menos concorridos e com menor poder de mobilidade social.
Moradora de Nova Iguaçu, a ambulante Cláudia Silvério Campos, 19 anos, concluiu o ensino médio e fez cursos de informática, telemarketing e contabilidade:
¿ Do grupo de amigas que se formaram comigo, só eu não tenho carteira assinada. Todas são brancas ¿ desabafa Cláudia, grávida de seis meses de Larissa, sua primeira filha. (F.O. e D.W.)