Título: A terceira via
Autor:
Fonte: O Globo, 21/11/2005, Panorama Político, p. 2

A guerra aberta entre petistas e tucanos alimenta a imaginação daqueles que pretendem romper essa polarização. Os dois partidos marcham para as eleições de 2006 na presunção de que os eleitores serão submetidos a um plebiscito. Essa radicalização pode abrir espaço para a construção de uma terceira alternativa, acreditam os peemedebistas que defendem a candidatura própria.

A divisão da sociedade entre petistas e tucanos também ocorre no interior dos partidos políticos. No PMDB a situação não é diferente. Há uma ala, integrada pelos deputados Geddel Vieira Lima (BA) e Eliseu Padilha (RS), que está disposta a apoiar a candidatura do PSDB à Presidência. Há outro grupo, do qual participam o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o senador José Sarney (AP), que prefere uma aliança para apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por fim, existem aqueles que querem que o partido tenha candidato, entre os quais os governadores Roberto Requião (PR), Luiz Henrique (SC), Germano Rigotto (RS) e o ex-governador Anthony Garotinho.

Já existem dois candidatos às prévias para a escolha do candidato, marcadas para 5 de março: Garotinho e Rigotto. Apesar disso, os governistas ensaiam um movimento para inviabilizar a consulta às bases. Por isso, entre os candidatáveis do partido se diz que é mais difícil ser candidato pelo PMDB do que vencer as eleições presidenciais. Esta é a avaliação de Rigotto, que venceu as eleições para o governo gaúcho em 2002. Ele foi eleito numa disputa em que os favoritos eram o governador Olívio Dutra (PT) e o ex-governador Antonio Britto (PPS). Em 2006, Rigotto quer repetir a fórmula e atropelar petistas e tucanos.

¿ O país está cansado dessa guerra. Esses dois partidos sequer têm uma política econômica que os diferencie. Os eleitores estão cansados. Eles querem um candidato capaz de pacificar a vida política e que una o país em torno de uma política de crescimento consistente ¿ diz Rigotto.

Com a aprovação da emenda que acaba com a verticalização, regra que obriga os partidos a se coligarem nos estados com os mesmos partidos com quem se coligaram nas eleições para presidente, a tese da candidatura própria ganha novo argumento. A candidatura a presidente não será um peso nem um constrangimento para os candidatos a governador, na medida em que terão liberdade para fazer os acordos eleitorais que quiserem.