Título: Palocci admite, enfim, que a carga tributária pode ser maior este ano
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 11/11/2004, Economia, p. 32

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, admitiu ontem, pela primeira vez, que a carga tributária do país poderá ser maior este ano do que em 2003 (35,68% do PIB). Na última reunião ordinária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) de 2004, ele disse ainda que o governo estuda novas medidas para reduzir os custos dos empréstimos, que vão vigorar já a partir do ano que vem. E assegurou que o crescimento da economia brasileira é sólido, e não um vôo de curta de duração.

¿ Não estamos num vôo de curta duração. Nossa retomada nada tem a ver com vôo de galinha ¿ garantiu.

Ele justificou o possível aumento da carga tributária, afirmando que a arrecadação de impostos e contribuições tem crescido acima do PIB em 2004. Mas frisou que qualquer ganho de receita será repassado para a sociedade. Palocci lembrou que a produção industrial está mais aquecida e o governo começou a cobrar PIS e Cofins dos importados. No entanto, deixou claro que o compromisso da equipe econômica é repassar ganhos de arrecadação para o setor produtivo, como já ocorreu este ano com o pacote tributário de 21 medidas, que incluem a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para bens de capital e o regime especial de tributação para a modernização dos portos (Reporto).

¿ Este ano, já tomamos medidas para devolver imposto a mais. Nosso compromisso é de que todo aumento de carga que vier nós vamos devolver. Essas 21 medidas visam a recolocar a carga nos termos anteriores, mas certamente, penso que, este ano, por causa do crescimento econômico e por causa da Cofins sobre importações devemos ter uma carga superior à do ano passado. Mas acho que ao longo do tempo voltaremos à carga anterior ¿ explicou o ministro.

`BC tem que ficar vigilante quanto à inflação¿

Segundo Palocci, apenas as medidas tributárias para estimular o setor produtivo representam perda de arrecadação entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões por ano, mas vão levar a um aumento de 1,5% do PIB nos próximos cinco a sete anos:

¿ A perda de receita vai ser rapidamente compensada pelo crescimento ¿ afirmou.

O ministro enfatizou que o atual ciclo de crescimento é regular e que, pela primeira vez, o Brasil está conseguindo combinar controle da inflação com equilíbrio fiscal e das contas externas. Palocci também afirmou que o Banco Central terá que ficar vigilante em relação à inflação porque ela é uma preocupação.

¿ Não há nada mais venenoso que a inflação, que corrói a renda e aborta o crescimento ¿ disse o ministro da Fazenda.

¿ A inflação não é uma ameaça, é uma preocupação sempre ¿ acrescentou.