Título: INDÚSTRIA DO ENTRETENIMENTO VAI GIRAR US$1,8 TRI EM 2009
Autor: Mariza Louven
Fonte: O Globo, 20/11/2005, Economia, p. 38
Projeção de consultoria é de que China puxará crescimento
A indústria do entretenimento é um dos segmentos da economia mundial que mais crescem. Com uma expansão média de 7,3% nos próximos quatro anos, essas atividades deverão movimentar US$1,8 trilhão em 2009, segundo projeção da PricewaterhouseCoopers (PwC). Os negócios crescem puxados pelos mercados da Ásia - onde o destaque é a China - e da América Latina. Os Estados Unidos, que têm a hegemonia mundial no segmento, terão o pior desempenho entre as áreas pesquisadas, de 5,6%.
- Até 2008, a China deverá superar o Japão como o maior produtor e consumidor de entretenimento na Ásia - prevê Estela Vieira, sócia da PwC no Brasil e especialista em tecnologia, entretenimento e mídia.
Na China, segundo a PwC, o mercado de entretenimento vai crescer 30,6% este ano, quando movimentará cerca de US$60 bilhões, e alcançar uma média de 25,2% ao ano até 2009.
Já a América Latina promete ser o segundo mercado mais dinâmico, com expansão média de 8,2% ao ano até 2009, quando vai gerar US$47 bilhões. A PwC considera como entretenimento os negócios de distribuição de filmes, emissoras de televisão (pagas e abertas), gravadoras, rádios, portais de internet, fabricantes de videogames, mídia impressa, editoras de livros, parques temáticos, atividades esportivas e até cassinos.
Internet vai ter expansão de 22% ao ano na receita
Brasil e México concentram 73% dos gastos anuais da AL
Os próximos anos serão da internet. De acordo com projeções da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), nenhuma outra mídia apresentará taxas de crescimento semelhantes à desse segmento até 2009. Esta é uma constatação particularmente positiva para o Brasil e para o México, que concentram 73% dos gastos anuais da região com acessos à rede mundial de computadores.
A pesquisa "Global Entertainment and Media Outlook: 2005-2009", realizada pela PwC em parceria com a Wilkofsky Gruen Associates, reúne informações de 58 países nas Américas, Europa, Ásia e Oceania. Para os próximos cinco anos, a internet terá o melhor desempenho na América Latina, com alta de 22,3% ao ano tanto na receita gerada por acessos quanto na incidência de publicidade.
- Os negócios referentes a direitos de transmissão em programas e redes de televisão, videogames e a indústria fonográfica deverão registrar elevação inferior a 10% em igual período - afirma Estela Vieira, sócia da PwC.
O Brasil é o segundo maior mercado de cinema e vídeo da região, com gastos de US$504 milhões em 2004, um aumento de 9,1% sobre o ano anterior, impulsionado principalmente pelo crescimento de 16,4% da bilheteria de cinema. Uma linha de crédito oferecida pelo BNDES está incentivando novos investimentos: a rede Cinebox planeja inaugurar cem novas salas até 2006 e o governo espera que outras mil sejam construídas nos próximos quatro anos, com aumento de 50% sobre a oferta.
Apenas 14,5% das casas brasileiras têm DVD
Apesar da pirataria, há 23 milhões de domicílios equipados com vídeo no país - uma taxa de penetração de 55,4% e que deve chegar a 70% em 2009, com 33 milhões de domicílios. Já o DVD está em apenas 14,5% das casas (seis milhões), devendo crescer sete vezes até 2009. O maior mercado da América Latina em aluguel de fitas também é aqui: girou US$208 milhões em 2004.
A TV por assinatura brasileira faturou US$1,46 bilhão em 2004, mesmo valor registrado pelo México. A projeção é de crescimento médio anual de 10% nos próximos anos, chegando a US$2,4 bilhões em 2009. O Brasil tem o maior número de assinantes da América Latina, 5,3 milhões, apesar de o índice de penetração ser ainda muito baixo: menos de 20% da população.
As vendas da indústria fonográfica subiram 39,3% em 2004 no país, ainda abaixo das de 2000. Os gastos com a compra de CDs e outros produtos comercializados pelas gravadoras vão declinar nos próximos cinco anos, a uma taxa média anual de 4,7%. (Mariza Louven)