Título: Não pode faltar
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Fonte: O Globo, 24/11/2005, Opinião, p. 6
Aeconomia brasileira vem superando, com muita dificuldade, uma série de obstáculos para que possa finalmente ingressar em uma trajetória de crescimento duradouro e sustentável. O fabuloso desempenho das exportações removeu o constrangimento que era causado pelo desequilíbrio das contas externas, e o Brasil é hoje bem menos vulnerável a crises cambiais.
O ataque à inflação exigiu grande sacrifício, com aumento de carga tributária e elevação das taxas de juros. Mas pouco a pouco os índices de preços vão se aproximando das metas estabelecidas pelo governo.
Já no caso das finanças públicas, embora no curto prazo estejam sendo acumulados superávits primários capazes de estancar o vertiginoso crescimento da dívida, ainda é preciso um ajuste fiscal mais bem estruturado, de longo prazo.
Seja como for, do ponto de vista macroeconômico, pode-se dizer que estão sendo criadas as bases para o desenvolvimento sustentado. No entanto, esse processo corre o risco de ser neutralizado por gargalos na infra-estrutura.
O Estado é que tradicionalmente investia nesses segmentos, mas, com a incapacidade financeira do setor público, tais investimentos minguaram quase a zero. A opção é atrair capitais privados para a infra-estrutura, o que não é fácil devido à falta de marcos regulatórios que dêem de fato segurança ao investidor.
No caso da energia elétrica, o país terá de investir fortemente para que não venha a enfrentar novos racionamentos. Com os reservatórios das hidrelétricas em níveis satisfatórios, a potência instalada do setor elétrico é suficiente para suprir o consumo até pelo menos 2009, mesmo que a economia volte a crescer a taxas ligeiramente acima de 4% ao ano.
Já em 2010, essa potência instalada terá de ser ampliada e, por enquanto, não estão equacionados todos os investimentos em condições de remover esse gargalo. As autoridades devem ficar atentas a tal risco, pois energia não pode faltar